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SÃO PAULO – O trânsito da cidade de São Paulo custa muito mais que o estresse dos paulistanos. O volume de perdas provocadas pelos congestionamentos chegou a R$ 40 bilhões em 2012 – um aumento de 130% em dez anos, informou um estudo da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).
O levantamento aponta que o trânsito de São Paulo chega a ser mais caótico que o da ilha de Manhattan, em Nova York, mesmo que esta última tenha cinco vezes a densidade de veículos da capital brasileira. O estudo levanta ainda a perda da qualidade de vida, causada pelo esgotamento físico e danos psicológicos do trânsito parado.
Entre 2002 e 2012, a frota de automóveis cresceu 54%, enquanto a população da cidade aumentou em 8%. Com isso, o número de automóveis por habitante saiu de 0,30 para 0,42 no período, sendo que o índice nacional atualmente é de 0,22.
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Embora a lentidão tenha sido parcialmente contida com a implantação da restrição do acesso dos caminhões em importantes vias da cidade em 2010, os carros passaram a ocupar o espaço deixado desde então, como na Marginal Tietê, onde o fluxo de caminhões caiu 6%, mas o de automóveis cresceu 15%. Na Avenida dos Bandeirantes foram 44% menos caminhões circulando, porém a circulação de carros na via aumentou 10%.
Esses problemas, segundo a FGV, resultaram em um custo total de R$ 40 bilhões – R$ 30 bilhões que se deixou de produzir no trânsito, somados aos R$ 10 bilhões provenientes das deseconomias externas do excessivo número de veículos em circulação, refletidas no aumento do consumo de combustíveis, na maior emissão de poluentes e na elevação do custo do transporte de cargas.
Trânsito que pesa no bolso
Ainda de acordo com o levantamento, a velocidade média de São Paulo é de 17,5 km/hora, sendo que a maior lentidão se encontra no período da tarde, no qual o motorista andará pela cidade com uma velocidade média de 16,8 km/hora.
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Além da produtividade desperdiçada, o congestionamento pesa no bolso dos motoristas, que tem de desembolsar mais combustível para se locomover com seu carro. A FGV estimou que o custo da gasolina, sem congestionamento, chegou a R$ 1.740,52 em 2012. Já com congestionamento, o custo pulou para R$ 2.670,68 – R$ 930,16 a mais.
Há solução?
O estudo ainda indicou algumas ações que poderiam diminuir o tráfego intenso de veículos, que é o principal causador de trânsito na cidade. “São Paulo é vitima de uma concepção urbanística ultrapassada. Segue o modelo de uma cidade formada por um núcleo central rodeado por centros periféricos residenciais e comerciais de segunda ordem”, considera o estudo.
Para os pesquisadores, esse sistema arterial concentrador não funciona mais, o que demanda mais investimentos em infraestrutura viária. “Em vez de grandes obras, bastaria um conjunto de obras de porte menor por todos os pontos críticos da cidade de forma a criar um sistema integrado de circulação paralela às grandes artérias.”
Segundo a FGV, algumas das ações seria redirecionar recursos que hoje são canalizados para grandes obras para revascularização do sistema viário; utilizar o IPVA para desestimular a utilização de carros mais antigos, que gastam mais combustíveis e poluem mais; utilização de combustíveis não poluentes em toda a frota de ônibus em um prazo entre 5 e 10 anos e investir em terminais de transbordo, que evitaria os comboios de ônibus vazios em fila indiana na região central e grandes avenidas.
Outra medida é implantar pedágio urbano, como em Londres, Milão, Estocolmo, Cingapura e Oslo. “Isso seria importante para igualar a utilidade marginal privada ao custo social pelo uso do automóvel”, finalizou o estudo.