Eu deixei um app tomar conta dos meus gastos

Saiba como foi essa experiência, e se deu certo

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(SÃO PAULO) – Eu acabo de passar seis semanas usando um app que cuidava dos meus gastos como um falcão. Descobri que eu precisava disso. Eu sou um repórter de finanças pessoais sem um orçamento. Estou gastando demais nessa semana? Eu não sei. Quanto dinheiro eu desperdiço em álcool? Nem ideia. Eu deveria estar guardando mais? Boa pergunta.

O Vale do Silício tem construído softwares para ajudar pessoas como eu a manter controle sobre os gastos do dia-a-dia. Os bancos estão entrando nessa também. Eles temem perder o contato com uma geração de clientes que quase não frequentam suas dependências. Eu sou um pouco mais velho que a geração Y, mas instalei o Level Money no meu celular mesmo assim.

O Level Money, que contabiliza 800.000 downloads e foi comprado nesse ano pela Capital One Financial Corp., é gratuito e não exige o uso de uma conta bancária ou um cartão de débito específico. Criar um usuário e conectá-lo à minha conta existente foi fácil. Depois o app analisou meu status bancário, observando meu salário e despesas recorrentes – aluguel, contas, Netflix – com um empurrão ocasional meu. Foi uma boa primeira impressão. Então veio a sugestão:

Separe dinheiro para guardar mensalmente!

Ok. Eu estabeleci uma medida para meus níveis diários e mensais de gastos e poupanças. Nessa altura, já estava decepcionado com o meu relacionamento com o aplicativo. Quanto dinheiro eu devo guardar todo mês? Essa era justamente a questão que eu esperava que o Level Money respondesse.

Eu dei meu palpite, e o LM imediatamente começou a observar meus gastos e me mandar feedbacks eventuais. Era como receber mensagens de texto de um namorado controlador. “Nos impressione!”, ele disse um dia. “Boomshakalaka”, em outro. Como um ciborgue que ainda não sabe falar o idioma humano muito bem, ele exclamou:

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Raios e trovões! Estamos felizes em anunciar que você gastou menos de 50% da sua meta semanal!

Sério? Eu tinha acabado de gastar US$240 em ingressos de teatro e US$560 agendando uma viagem no final de semana. “É um bom dia”, o LM me disse em outro momento. “Seu banco acaba de receber um grande pagamento!”. Sim, ele viu! Porque eu depositei um cheque de US$231.

Eu decidi colocar algumas das minhas economias a um fundo mútuo. O Level Money achou que isso era um gasto e surtou:

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Você gastou demais esse mês!

Eu comecei a gastar escondido. Eu quase sempre pago a conta do bar em dinheiro. É mais fácil dar gorjetas assim, mas o LM não tinha como saber quanto eu estava desperdiçando em cervejas.

Também me perguntei quanto eu estava gastando em táxis, roupas, livros e almoços durante a semana. O LM não ajudava muito nisso, mesmo que eu houvesse usado meu cartão. O app permite que você categorize manualmente cada transação, mas isso dá muito mais trabalho do que eu gostaria.

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O problema é basicamente técnico. Os sistemas de pagamentos colocam as transações em uma categoria geral, como comida, transporte e entretenimento, mas esses dados não são muito confiáveis. O site de finanças pessoais Mint.com mostra seus gastos em categorias, mas os usuários precisam corrigir as pressuposições do software. Nesse mês, por exemplo, minha conta no site etiquetou um gasto de US$100 como “restaurante”. Na verdade, foi um aluguel de bicicleta. Ao usar o Level Money para a tarefa mais simples do mundo – checar meu balanço – eu ganhei uma nova dúvida:

Eu gostei do Level Money?

Francamente, não. Depois de mais de um mês deixando esse aplicativo morar no meu celular, eu descobri que ele não mudou nenhum dos meus hábitos. Eu não tive nenhuma grande ideia sobre meus gastos. O LM de fato monitorou minhas transações, mas eu já usava o aplicativo do banco para fazer esse tipo de coisa.

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Provavelmente há pessoas que acham o LM mais útil. Em uma era onde é possível gastar dinheiro com um clique, as pessoas certamente precisam de mais ajuda para observar seus gastos.

“Nós entregamos um senso de clareza”, diz o CEO da Level Money, Jake Fuentes. Alex Sion, presidente do banco virtual Moven, diz que aplicativos melhores podem ajudar os consumidores a estar “atentos e no controle”.

Eu queria mais que clareza – queria mais dinheiro sobrando no final do mês. Talvez eu estivesse com uma ideia fantasiosa de que poupar é algo fácil. Queremos magicamente virar milionários guardando um pouquinho aqui e outro pouquinho ali. Mas tomar um café a menos por semana não vai afetar tanto assim a sua aposentadoria. Poupar é algo que exige pesar prioridades, dia após dia.

Reportagem de Bem Steverman

Traduzido por Paula Zogbi