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(SÃO PAULO) – Apesar de o CEO da Fiat Chrysler Automobiles NV, Sergio Marchionne, não ser conhecido por sua paciência, ele provavelmente esperará até o ano que vem para apresentar uma oferta pela General Motors Co. após meses de conversas sobre a possibilidade de um acordo.
A separação da Ferrari SpA, que deverá ocorrer no início de 2016, pode ser o estímulo para que Marchionne apresente uma oferta pela fabricante de automóveis dos EUA. A sição da Ferrari levantaria dinheiro para a empresa endividada. A jogada é fundamental também para a família Agnelli, acionista dominante da Fiat, que está disposta a manter o controle da fabricante italiana de supercarros.
Marchionne está em uma cruzada para a consolidação da indústria automotiva, o que inclui a apresentação “Confissões de um viciado no capital”, de abril. Ele argumenta que as fabricantes de veículos desperdiçam dinheiro por desenvolverem múltiplas versões da mesma tecnologia e que por isso elas deveriam se combinar.
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Ele restringiu, em grande parte, seu foco à GM enquanto alvo potencial, porque as duas fabricantes de veículos compartilham uma estratégia multimarcas e a GM não possui acionistas familiares para defendê-la, como a Ford Motor Co. A GM e a Fiat também têm uma história em comum e quase se combinaram há uma década, mas a GM se desvencilhou do negócio. O falatório persistente de Marchionne é visto como parte do plano para incitar a GM a entrar em uma fusão, enquanto a posição da GM é de que a empresa está buscando economias internas e não precisa da Fiat.
“Como um verdadeiro jogador de pôquer, Marchionne não vai sossegar por ter ganho uma mão e conseguido a Chrysler; ele quer o jackpot da fusão com a GM”, disse Vincenzo Longo, estrategista da IG Group em Milão. “Ele está atraindo investidores da GM com essa conversa de economia multibilionária antes de fazer uma última tentativa”.
A Fiat está comprometida a separar a Ferrari e não tem planos de incluí-la em um possível negócio, disseram fontes informadas sobre o assunto. A unidade de supercarros não contribuiria para o corte de custos de uma fusão e a família Agnelli quer o controle da fabricante do carro esportivo F12berlinetta, de US$ 320.000, disseram as fontes. A Fiat preferiu não comentar.
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Em contrapartida, a família está pronta para ter sua participação de 29 por cento na Fiat diluída em um potencial negócio para expandir a empresa, disse à Bloomberg John Elkann, descendente do fundador da Fiat, Giovanni Agnelli, e chefe das atividades empresariais da família, em entrevista conjunta com Marchionne em outubro.
Controle da Ferrari
Elkann, 39, contratou Marchionne em 2004 para salvar a Fiat da falência e cumpre um papel fundamental no que o explícito CEO faz. E para os próximos meses, o herdeiro da família Agnelli tem muito trabalho pela frente depois que se tornou, neste ano, um fechador de negócios. Como CEO da holding da família, a Exor SpA, ele ganhou a batalha pela aquisição da PartnerRe Ltd. e depois foi em busca de uma participação na The Economist Group para se tornar o maior investidor da revista de 172 anos. Ambos os negócios deverão ser fechados no primeiro trimestre de 2016.
Após a oferta pública inicial da Ferrari, em outubro, e sua subsequente separação, a família Agnelli controlará mais de 30 por cento dos direitos de voto da fabricante de supercarros, graças a um programa de fidelização de acionistas colocado em prática por Marchionne.
Enquanto isso, o executivo está intensificando a pressão sobre a GM, que disse em junho que havia analisado e rejeitado seus avanços. Em entrevista publicada no dia 30 de agosto pelo Automotive News, Marchionne disse que analisou uma fusão da GM com a Fiat e que a entidade combinada poderia gerar US$ 30 bilhões em caixa ao ano.
Ele não chegou a dizer se consideraria uma oferta hostil se a GM não mudar seu tom, mas deu indícios de que está pronto para forçar o negócio.
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“Existem vários tipos de abraço”, disse Marchionne, na entrevista ao Automotive News. “Eu posso te abraçar carinhosamente, posso te dar um abraço apertado ou te abraçar como um urso”.
Por Tommaso Ebhardt