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SÃO PAULO – A base de sustentação do candidato do governo José Serra é formada pelos dois principais partidos de centro do Brasil, o PMDB e o PSDB, contando também com apoio de parte do PFL, que está dividido entre a candidatura governista e o candidato do PPS, Ciro Gomes.
Entretanto, o próprio apoio do PMDB não é unânime, uma vez que facções não ligadas à executiva do partido apóiam outros candidatos. Este é o caso, por exemplo, do político mineiro Itamar Franco, filiado ao PMDB, porém apoiando a candidatura oposicionista de Lula.
De qualquer forma, vale lembrar que a formação do atual quadro partidário brasileiro remonta ao final da ditadura, quando, dentro de um lento processo de distensão, organizado pelo alto comando militar, o bipartidarismo foi extinto e adotou-se a partir de 1979 o pluripartidarismo.
PMDB é o sucessor do MDB
O PMDB é o legitimo herdeiro do MDB, partido organizado pelo regime militar para abrigar a oposição, dentro da lógica do bipartidarismo. Contudo, o atual PMDB, por muito tempo o maior partido do país, vem sofrendo um processo gradual de desgaste.
Já durante o processo de adoção do sistema multipartidário, o partido perdeu 70 dos seus 189 deputados federais originais e cinco dos seus 25 senadores, isto, em virtude principalmente da formação de novos partidos de oposição.
É importante frisar que o grande ponto de desgaste da legenda foi a incapacidade de acomodar os diferentes interesses regionais de seus partidários, além das consideráveis divergências ideológicas, dividindo o partido.
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Partido tem forte penetração em todo o Brasil
No entanto, com a morte de Tancredo Neves e a posse de seu Vice, José Sarney, O PMDB governou o país entre 1985 e 1990, recuperando parte de seu prestígio e força. Além disto, uma das causas da grande importância da legenda para a política nacional está na sua forte penetração, em praticamente todo o território nacional.
Desta forma, o PMDB representa um forte aliado à candidatura Serra, já que a máquina do partido é capaz de mobilizar uma grande quantidade de votos em favor do candidato governista.
Candidatos do PMDB não refletiram importância do partido
Com a volta das eleições diretas para presidente, os candidatos do PMDB não conseguiram transferir para as urnas a enorme importância do partido. Em 1989, Ulysses Guimarães disputou as eleições presidenciais, não passando da sétima posição, com 4,7% dos votos nacionais.
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Já em 1994, o PMDB lançou a candidatura presidencial do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, que alcançou a quarta colocação no pleito com um desempenho muito similar ao de seu antecessor (4,4% dos votos). Finalmente em 1998, o partido optou por não apoiar nenhuma candidatura.
PSDB nasceu de reação ao Quercismo
O Partido da Social Democracia Brasileira foi fundado em 1988, por um grupo de dissidentes do PMDB, descontentes com a hegemonia de Orestes Quércia sobre o diretório paulista do partido.
Além disto, os fundadores da legenda, entre eles o atual Presidente Fernando Henrique Cardoso e o falecido ex-governador de São Paulo, Mario Covas, destoavam do resto do PMDB em virtude de insistirem durante a Assembléia Constituinte, na adoção do sistema parlamentarista e na redução do mandato de governo de José Sarney.
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PSBD é o partido dos intelectuais
Uma das principais características do PSDB é a sua composição, notavelmente marcada por intelectuais originados da classe média. Além disto, é marcante também a presença de empresários ilustrados.
Isto acabou facilitando a aliança com o PMDB, já que há uma presença importante na executiva da legenda de empresários e intelectuais, o que permitiu a criação de importantes laços entre os dois partidos, mesmo com a grande diversidade ideológica presente dentro do PMDB.
Partido está há oito anos no comando do país
A trajetória eleitoral do PSBD pode ser considerada extremamente vitoriosa. Em 1989, com apenas um ano de existência, o partido consegui abocanhar a quarta posição na preferência do eleitorado, com 11,5%, lançando o ex-governador Mário Covas como seu candidato.
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Já, em 1994 e 1998, a legenda elegeu o ex-senador Fernando Henrique Cardoso à Presidência do país, com respectivamente 54,3% e 53,1% dos votos.