BC terá pesado calendário de dívidas atreladas ao dólar até final do ano

Cerca de US$ 12,7 bilhões em títulos cambiais vencerão até o final do ano, provocando tensão no mercado de câmbio

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SÃO PAULO – Apesar do dólar já atingir valorização superior a 60% em 2002, e seguir batendo recordes de alta do Plano Real nas últimas semanas, as perspectivas para reversão deste quadro não são muito positivas. Isso porque, além das incertezas em função do quadro eleitoral, o Banco Central terá pesado calendário de dívidas atreladas ao dólar até o final deste ano.

Concentração de vencimentos preocupa

Nesse sentido, os passivos atrelados à variação cambial que expiram neste ano estarão concentrados em três vencimentos: 17 de outubro, 13 de novembro e 11 de dezembro, somando US$ 9,34 bilhões

Um das mais importantes implicações desta concentração de vencimentos é a perspectiva de continuidade de fortes pressões no câmbio, especialmente nos dias que antecedem o fechamento da cotação de vencimento dos contratos, quando o mercado deverá impulsionar a cotação da moeda norte-americana para fixar a Ptax em um nível elevado a fim de obter um melhor rendimento nos títulos.

Assim, o mercado aproveita o momento de falta de divisas, associado ao elevado patamar em que se encontra o risco-país, o que dificulta ainda mais a entrada de dólares no país, seja através de captações públicas ou privadas no exterior, seja através de investimentos estrangeiros. Nesse sentido, o Banco Central revisou de US$ 16,5 bilhões para US$ 15 bilhões as estimativas de ingresso de recursos externos para este ano, e de US$ 17 bilhões para US$ 16 bilhões para 2003.

Além da dívida referente aos títulos públicos, que totaliza US$ 12,7 bilhões até o final do ano, serão ainda liquidados cerca de US$ 5 bilhões em contratos de swap cambial no período compreendido entre 17 de outubro e 18 de dezembro. Como o mercado fica ativo na ponta cambial, o dólar também pode ficar pressionado neste período, com os investidores tentando maximizar seus ganhos.

Medidas do BC ainda não surtiram efeitos

No final da tarde da última segunda-feira, o Banco Central decidiu elevar a requisição de capital próprio exigido dos bancos para riscos de perda com variação cambial. Assim, segundo determinado pela autoridade monetária, quando a exposição cambial superar o limite de isenção de 5% sobre o capital, a capitalização mínima necessária para atender essa exposição subiu de 50% para 75%.

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Com isso, o BC repete a decisão tomada em 26 de setembro de 2001, quando elevou o percentual da exposição cambial líquida de 33% para 50%. Com isso, o mercado acredita que muitas instituições financeiras terão que se desfazer de posições compradas em moeda estrangeira para adequarem-se à nova regra, num prazo máximo de cinco dias úteis.

Porém, ainda não foi o que aconteceu. Na última terça-feira, o dólar encerrou apenas com leve baixa de 0,29% e nesta quarta-feira já opera registrando alta superior a 3%. Assim, é possível que os bancos ainda não tenham se ajustado às novas regras do BC, visto que teriam cinco dias úteis a partir de ontem.

Cenário político ainda preocupa

Mas, além da elevada dívida pública atrelada ao câmbio que vence até o final do ano, o dólar também pode manter-se pressionado nas próximas semanas que antecedem a realização do segundo turno das eleições.

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Apesar de Lula não ter sido eleito no primeiro turno e José Serra ter alcançado o segundo turno, os investidores seguem pessimistas em função das possíveis instabilidades, que poderiam ter sido amenizadas mesmo se a eleição tivesse sido decidida no primeiro turno a favor de Lula.

Assim, o mercado segue bastante temeroso, visto que Lula já obteve o apoio tanto do PPS de Ciro Gomes como do PDT, enquanto Serra deve conseguir apenas um apoio parcial do PFL. Segundo o senador Jorge Bornhausen, a cúpula pefelista fará apenas uma indicação favorável à candidatura de Serra, sem imposições, visto que há divergências sérias dentro do partido quanto à volta ao apoio ao PSDB. Nesse sentido, Antonio Carlos Magalhães, Roseana Sarney e Edison Lobão já declararam apoio a Lula.

Finalmente, vale lembrar que independentemente de quem for eleito, seja Lula, seja José Serra, o novo presidente encontrará o Poder Legislativo bastante fragmentado, frente ao forte crescimento da oposição tanto no Congresso como no Senado.

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