Governo petista dará prioridade à construção de hidroelétricas

Há também a possibilidade de extinção do MAE, já que não vem conseguindo atingir as metas de elevar a competição

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SÃO PAULO – Após a consolidação da vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva, muito se discute sobre o rumo da política econômica a ser tomada pelo novo governo, teoricamente contrário às linhas seguidas atualmente. Em relação ao setor elétrico, deve haver priorização das hidroelétricas e a possível extinção do MAE, o Mercado Atacadista de Energia.

PT dará prioridade às hidrelétricas

Segundo o coordenador do programa de energia de Lula, Luiz Pinguelli Rosa, a nova gestão dará prioridade a investimentos na construção de hidroelétricas. Apesar de necessitarem de maior capital inicial, o custo da manutenção é menor, acarretando energia gerada mais barata que as térmicas movidas a gás natural.

A equipe de energia do PT quer aproveitar ao máximo o potencial hídrico do país e coloca em segundo plano as térmicas. O programa de Pinguelli defende que usinas movidas a gás natural já existentes funcionem como alternativa, mas não estimula a construção de novas unidades. A eletricidade proveniente de térmicas não será usada enquanto houver fartura de eletricidade originada de hidrelétricas.

Pinguelli sugere extinção do MAE

Professor e diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação da Universidade do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Pinguelli sugere a extinção do atual Mercado Atacadista de Energia (MAE). Os contratos bilaterais de longo prazo serão a marca do governo petista.

Para Pinguelli, o MAE, que foi criado em 1995, não está conseguindo atingir as metas de elevar a competição e diminuir assim o preço da energia elétrica para as residências e indústrias. Os consumidores, acostumados com a redução imposta pelo racionamento, perceberam a viabilidade do menor consumo, não voltando assim aos patamares anteriores.

Por conseqüência, a competição entre as geradoras segue praticamente nula. Os leilões de energia têm fracassado, devido ao preço alto dos lotes de energia. Exemplificando essa tendência, foi o primeiro leilão de “energia velha” das geradoras federais concluído 20 de setembro. A maioria dos compradores rejeitou os preços altos e somente um terço da oferta total conseguiu ser vendida.

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As linhas de transmissão também continuarão recebendo recursos da Eletrobras, mas com menor intensidade, já que as empresas privadas estão participando das licitações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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