Planejamento familiar estimula crescimento econômico

Relatório da ONU e do IBGE confirmam que planejamento familiar é uma boa solução para melhorar condições da população

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SÃO PAULO – Desenvolvimento, população e pobreza são alguns dos problemas enfrentados por muitos países, inclusive o Brasil. Visando melhorar a condições de vida da população, a ONU produziu um relatório sobre a situação da população mundial em 2002. No Brasil, o IBGE também elaborou um relatório específico sobre a situação dos brasileiros.

Ambos tratam dos mesmos temas e buscam o mesmo objetivo, o de melhorar a situação das pessoas nos próximos anos. Em 1994, durante a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CPID), os países pertencentes a ONU decidiram cumprir algumas metas, denominadas Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com prazo até 2015.

Entre alguns dos objetivos estabelecidos, destaque para a redução à metade da pobreza e da fome no mundo, da mortalidade materna e de crianças, dos casos de Aids, da desigualdade entre os sexos, além do incentivo ao desenvolvimento sustentável do meio ambiente.

Planejamento familiar melhora no PIB per capita

Segundo o relatório da ONU, o “efeito população” está refletindo no crescimento econômico dos países. O fenômeno da queda da fecundidade em alguns países, até mesmo no Brasil, está proporcionando um crescimento econômico mais rápido. No Brasil, a queda da fecundidade resultou num aumento de 0,7% ao ano no PIB per capita.

Os programas de planejamento familiar são os principais responsáveis pela queda da fecundidade no mundo. No período compreendido entre 1972 e 1994, a taxa de natalidade caiu cerca de 1/3. Contudo, mesmo diante de um cenário como esse, o abismo entre ricos e pobres continua.

Dificuldades ainda são maiores nos países mais pobres

Os países mais pobres ainda enfrentam problemas como pobreza, falta de programas de saúde e taxas de fecundidade elevadas. Desde 1995, a população nesses países triplicou, e deve triplicar novamente nos próximos cinqüenta anos, o que deve acentuar ainda mais a diferença entre os paises desenvolvidos e não- desenvolvidos.

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As diferenças de renda e de acesso aos diversos recursos vêm se agravando nos últimos anos a nível mundial. Em 1960, a diferença entre o rendimento per capita dos 20% mais ricos e dos 20% mais pobres era de 30 para 1, em 1994, essa diferença já era de 78 para 1.

Um terço dos brasileiros vive com meio salário

No caso brasileiro, aproximadamente um terço da população vive com até meio salário mínimo per capita. Em termos absolutos, isso representa cerca de 49 milhões de pessoas. Se levarmos em consideração, aquelas pessoas sem rendimento, consideradas “pobres”, essa cifra pode chegar a 54 milhões de pessoas.

Essas diferenças são mais acentuadas no interior do país, enquanto na região Nordeste, a proporção de pessoas que sobrevivem com meio salário mínimo é de quase 51%, na região Sudeste essa proporção é de apenas 18%.

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De acordo com o relatório da ONU, países que fornecem serviços de saúde reprodutiva, planejamento familiar, qualidade em educação, conseguem progressos rápidos, além de reduzirem as diferenças entre homens e mulheres. Em 1980, uma em cada cinco pessoas pertencia ao grupo da pobreza, ou seja, 18,9% da população mundial.

Desigualdade entre sexos se acentuou na última década

O relatório também mostrou que a quantidade de mulheres que vivem na pobreza é superior ao de homens, e essa diferença se intensificou na última década. Indicadores como poder, saúde e distribuição de tempo podem ser mais importantes para medir a disparidade entre sexos do que o rendimento.

Isso porque as mulheres trabalham mais horas do que os homens em atividades não remuneradas, o que tem dificultando o cálculo das disparidades, e conseqüentemente, a ajuda financeira dos países mais necessitados.