Com maior aversão ao risco, linhas de crédito externas caem 28,65% em 2002

Incertezas políticas e investidores internacionais mais avessos ao risco levam linhas de crédito à forte queda em 2002

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SÃO PAULO – O pessimismo que dominou o mercado, tanto interno quanto externo, durante a maior parte do ano de 2002 foi mais que suficiente para uma redução substancial da disponibilidade de linhas de crédito interbancárias para o Brasil ao longo do ano.

Tal conclusão pode ser constatada na Nota do Setor Externo, divulgada pelo Banco Central nesta quinta-feira, que mostra uma queda de 28,65% no estoque total de linhas de crédito em 2002 com relação ao ano anterior. O estoque total no final de 2002 era de US$ 14,54 bilhões contra um total de US$ 20,38 bilhões em 2001.

Se considerarmos apenas as linhas de crédito ligadas ao comércio, a queda foi de 31,02% no acumulado do ano, passando de US$ 14,3 bilhões em dezembro de 2001 para US$ 9,86 bilhões no final de 2002. No caso daquelas não ligadas ao comércio, como overdrafts, time deposits etc., a queda foi de 23,06%, passando de US$ 6,1 bilhões em 2001 para US$ 4,68 bilhões em 2002.

Aversão ao risco domina cenário externo

Uma combinação de fatores internos e externos favoreceu a queda dos estoques de linhas de crédito em 2002. No âmbito externo, pode-se apontar a maior aversão ao risco dos investidores internacionais, em especial com relação aos mercados emergentes, que enfrentaram seguidas crises durante a década de 90.

A explosão da crise argentina, ainda em 2001, foi fator chave para uma maior apreensão do mercado internacional em relação aos países latino-americanos, uma vez que os investidores temiam uma repercussão nos países vizinhos.

Neste sentido, o estoque mensal de linhas de crédito mostrou uma trajetória majoritariamente declinante em 2002.

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Incertezas políticas contribuem para queda

A queda na disponibilidade total de linhas de créditos foi notadamente acentuada a partir de junho de 2002, mês no qual definiu-se a configuração política para a disputa presidencial de outubro.

O receio do mercado com relação às medidas do novo governo, aliado à aversão ao risco dos investidores, fez com que as quedas dos estoques de crédito não cessassem desde então.

Tensões externas podem prejudicar saldo de 2003

Discursos de manutenção da austeridade fiscal e monetária que marcaram a transição para o novo governo deixaram o mercado internacional mais confiante em relação ao Brasil, favorecendo, inclusive, a captação de recursos internacionais por bancos brasileiros, como o Bradesco, Itaú, ABN Amro e Votorantim no início de janeiro.

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Contudo, o prolongamento de tensões internacionais, especialmente no Golfo Pérsico, pode ampliar ainda mais a aversão ao risco dos investidores, prejudicando a captação de novas linhas de crédito junto ao mercado internacional.