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SÃO PAULO – Depois da forte procura por imóveis na segunda metade do ano passado, com os investidores apostando na segurança destas aplicações diante da incerteza com relação à condução da economia em um governo petista, o mercado imobiliário conseguiu fechar o ano passado com um crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior.
IVV disparou entre setembro e novembro
O aumento da procura por imóveis pode ser constatado ao analisarmos a evolução do IVV (Índice de Velocidade de Vendas), índice que mede o percentual de imóveis vendidos sobre o total colocado à venda em um determinado período de tempo.
Com base na pesquisa mensal do Secovi (Sindicato da Habitação) para o ano passado, o IVV atingiu seu nível mais alto do ano em setembro, quando a corrida eleitoral realmente começou e as chances de vitória governista ficaram mais distantes. Naquele mês, o IVV do mercado imobiliário ficou em 10%, caindo para 9,6% em outubro e voltando a subir para 9,9% em novembro, para então fechar o ano em 7,7%.
A queda do IVV de dezembro não chega a preocupar o setor que acredita que se trate de uma fase de transição após as eleições presidenciais, em que os brasileiros ficaram mais otimistas com relação ao novo governo, trazendo mais tranqüilidade ao mercado imobiliário, com a redução das vendas. Ainda assim o IVV de dezembro do ano passado, ficou bem acima daquele registrado no mesmo mês em 2001, que foi de 5,9%.
Esperança com as propostas governamentais
O otimismo do setor com relação ao ano de 2003, se deve às propostas defendidas pelo atual governo durante sua campanha eleitoral de que pretende investir em políticas sociais que contribuam para a redução do déficit habitacional do país.
Esta é opinião, por exemplo, do presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Romeu Chap Chap, que acredita que tanto o governo de São Paulo como o governo federal estão empenhados com projetos na área habitacional. Esta vontade política é que estaria alimentando o otimismo do setor, que espera elevar o volume de unidades vendidas entre 5% e 10% em 2003. Considerando que no ano passado foram vendidos aproximadamente 14,7 mil imóveis, estas projeções apontam para a venda de mais de 16 mil unidades durante o ano de 2003.
Para Chap Chap, a estratégia do governo seria criar as condições necessárias para se estabilizar o cenário econômico, o que favoreceria o crescimento do setor imobiliário. No que refere ao Estado de São Paulo, o otimismo se justifica, pois mesmo em um ano marcado pela incerteza como foi o ano passado, em que os juros subiram de 19% ao ano no início do ano para 25% ao ano em dezembro, as vendas de imóveis registraram expansão de 25%.
Além disto, o atual governador Geraldo Alckmin, teria dado sinais de que pretende re-introduzir a Nossa Caixa nas operações de financiamento à produção e à aquisição de moradias. No âmbito federal, o Projeto Moradia deve privilegiar uma nova política habitacional, privilegiando a oferta de teto para as famílias de baixa renda.