Consumidor utiliza mais cartão de crédito e prefere compras parceladas

Segundo pesquisa, o perfil do usuário do plástico está mudando. Classe A perde espaço para outras faixas de renda

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SÃO PAULO – O perfil do consumidor brasileiro está mudando: a população de baixa renda está utilizando mais cartão de crédito e parcelando mais suas compras. A afirmação é feita com base em pesquisa realizada pela Credicard Itaú, divulgada na última quinta-feira (28), sobre usuários do plástico.

Em primeiro lugar, a classe A – cujos representantes familiares têm um ganho per capita mensal de R$ 2.500 – está perdendo espaço nas compras do setor para as outras faixas de renda. Eles detinham 31% das transações em outubro 2002, devendo passar para 27% no mesmo mês deste ano.

Em reais, a elite deve gastar R$ 3,7 bilhões, contra R$ 10,3 bilhões dos demais consumidores.

Administrador de finanças

“Cada vez mais as pessoas estão percebendo que o cartão de crédito é uma excelente forma de administrar suas finanças”, explicou o diretor-executivo de Marketing de Negócios do Banco Itaú, Fernando Chacon. “As vantagens são enormes”, adicionou.

Segundo ele, o movimento é maior na segunda semana do mês. “O valor de cada compra também vai diminuindo. Em outubro, será de R$ 92, R$ 90, R$ 91 e R$ 87 nas quatro semanas. Isso porque o consumidor deixa para o final do mês as compras para casa, que custam menos, exatamente porque precisa se financiar, o dinheiro acaba”, explicou Chacon.

Financiamento

Outra prova de que os brasileiros estão precisando cada vez mais se financiar é o aumento do número de compras parceladas com o plástico.

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Conforme a pesquisa, em outubro de 2002, esse tipo de opção representava 37% das operações. A alta foi progressiva nos anos seguintes: 39%, 43%, 47% e 57% neste ano.

“O parcelamento é algo positivo tanto para o cliente quanto para o comércio e a administradora do cartão. Isso porque a pessoa consegue adequar suas compras à sua capacidade de pagamento e ainda por cima aumenta o ganho do vendedor, já que, sem a facilidade, ele não venderia o produto”, explicou Chacon.

Ganho bruto e faturamento

Segundo o diretor-executivo, a explicação é simples: supondo que o ganho bruto de uma loja seja de 40% do faturamento, uma vez arrecadados R$ 100 mil no mês, o saldo será de R$ 40 mil. Desses, R$ 30 mil são direcionados ao pagamento de despesas. Sobram, portanto, R$ 10 mil.

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No caso do parcelamento, supondo que o comércio consiga vender R$ 10 mil a mais, o lucro adicional será de R$ 4 mil – e sem despesas que não estavam programadas.

“Talvez esse aumento na necessidade do consumidor se financiar seja uma resposta ao baixo crescimento da economia brasileira. Porque, com menos renda, a pessoa precisa se financiar mais”, finalizou.