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SÃO PAULO – A MP 579 (Medida Provisória) anunciada por Dilma Rousseff no final do ano passado derrubou as ações do setor elétrico na BM&FBovespa. Uma empresa foi especialmente afetada: a Eletrobras (ELET3; ELET6), estatal de energia elétrica controlada pelo governo federal, que viu a ação ordinária voltar aos patamares de 2003 naquela época, enquanto a preferencial bateu os patamares de 2004.
Depois disso, uma breve recuperação levou as ações da estatal elétrica à patamares melhores, mas enquanto os preferenciais oscilam próximos dos R$ 10,00 – longe dos R$ 7,05 alcançados em novembro -, as ordinárias perderam os R$ 6,03 daquele período e atingiram os R$ 5,10, cotações só vistas pela última vez em 2003 – no início do primeiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva. Desde então, o Ibovespa subiu mais de 400%, pulando da região dos 10.000 pontos para os 55.000 pontos atuais.
O risco político é marca registrada da Eletrobras, explica Thomas Chang, analista da UM Investimentos. E por trás disso está principalmente as suaves mudanças na condução econômica de FHC, Lula e a atual presidente, Dilma Rousseff – que tem utilizado as estatais como forma de controlar a economia, usando os cortes do preço de energia para controlar a inflação, assim como o preço dos combustíveis da Petrobras (PETR3; PETR4).
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É oportunidade?
Vale a pena ressaltar o grande desconto da companhia: o P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) das ações ordinárias é de 0,10 – um dos menores do mundo. Isso garante um valor de mercado de aproximadamente R$ 8 bilhões, contra um patrimônio de R$ 79 bilhões declarado na última divulgação de resultado. De uma maneira prática de entender, o múltiplo neste patamar indica que se a empresa fechasse hoje e vendesse todos os seus ativos subtraídos pelas suas obrigações, seria pago por ela 10 vezes mais do que o preço que ela está sendo negociada em bolsa.
Seria isso uma oportunidade? Provavelmente não, já que a empresa não trata bem os acionistas minoritários por conta dos interesses do acionista majoritário. “O preço da ação sobre o valor patrimonial é muito baixo, mas sempre foi assim. Não é exatamente um caso em que a empresa está descontada e oferece uma oportunidade para o investidor, não”, acredita Chang.
Maior prejuízo da história
Logo depois do choque da MP 579, o mercado começou a avaliar a possibilidade de uma recuperação nas ações – já que os papéis poderiam estar precificando um cenário muito negativo, sem lucro e sem nenhuma geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
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Conforme o tempo foi passando, acredita Chang, esse cenário foi ficando até mais pessimista, com cada vez mais analistas parando de precificar lucro – sobretudo depois do resultado do último trimestre de 2012 mostrar perdas contábeis de R$ 10 bilhões, as maiores perdas da história.
“A empresa teve um prejuízo de R$ 10 bilhões, mas só vale R$ 8 bilhões. Isso por que ela aceitou todas as renovações de concessões, enquanto outras empresas como Cemig (CMIG4) e Cesp (CESP6) resolveram adiar algumas”, afirma o analista. Para ele, isso só é possível pela utilização da empresa como instrumento por parte do atual governo, já que, como majoritário, acaba aprovando medidas que vão contra os melhores interesses dos acionistas minoritários – para cumprir objetivos macroeconômicos do governo.
Analista critica decisões “irracionais” da empresa
Chang ressalta que a companhia toma cada vez mais medidas irracionais para os acionistas minoritários. “Em muitos leilões, os retornos não valem a pena. E mesmo assim, a Eletrobras aparece como única interessada, mesmo que não dê resultado, por conta do governo”, afirma o analista.
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Se a empresa é uma ferramenta do governo, vale ressaltar que é bastante ineficiente – o que também ajuda a prejudicar as cotações. “As distribuidoras dela têm indicadores operacionais péssimos, e é isso que define a revisão tarifária. Alagoas, Piauí, Acre, Amazonas, Roraima, por exemplo, possuem elevados prejuízo”, salienta o analista.