Projetando alta do real, BTG aponta quem ganha e quem perde com moeda valorizada

Para o banco, condições indicam que divisa pode subir no curto prazo; GOL e Petro ganhariam, e Embraer e Eletrobras perderiam

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SÃO PAULO – Analistas do BTG Pactual analisaram os possíveis efeitos, negativos e positivos, do aprofundamento da valorização do real e cenários que contemplam uma possível escalada da moeda a um patamar ainda mais elevado frente ao dólar.

De acordo com Carlos Sequeira, Antonio Junqueira e Bernardo Miranda, analistas do banco, as condições de curto prazo – incluindo-se a manutenção dos preços de commodities em alta e os menores spreads de risco – indicam que o real deve continuar valorizado por hora. “O governo brasileiro tem adotado medidas para impedir a alta do real (e pode adorar novas medidas nos próximos meses), mas se terá ou não sucesso ainda não está claro”, explicam.  

Naturalmente, há de se esperar que empresas que voltam sua produção para o mercado externo possam estar mais vulneráveis em função das receitas em dólares, porém, cabe sempre uma análise específica de cada caso em função da peculiaridade de cada empresa, como no caso de companhias que também possuem dívidas em dólares.

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GOL se beneficiaria
A GOL é um exemplo de companhia que, na visão do BTG, pode lucrar em um cenário de real valorizado, dado que possui apenas 5% de suas receitas em dólar, enquanto 50% de seus custos estão atrelados à moeda norte-americana. No caso de o real atingir cotação de R$ 1,50 em relação ao dólar, os ganhos da companhia aérea poderiam aumentar em 46%.

Empresas com vocação exportadora do setor alimentício, como BR Foods, JBS e Marfrig, sofreriam reveses no caso de valorização do real, porém a primeira sofreria menos, dadas as dívidas sem hedge que possui na moeda norte-americana.

Embraer com fortes perdas
Já a Embraer apresentaria fortes perdas caso o câmbio atingisse a taxa mencionada acima. Segundo os cálculos do banco, o dólar a R$ 1,50 poderia trazer uma queda de 44% no Ebitda (geração operacional de caixa) da companhia, dado que 95% de sua receita é em dólar e 20% de seus custos em reais.

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Com a mesma cotação do real citada acima, haveria queda no Ebitda também de Usiminas, CSN e Gerdau, de 9%, 9% e 6%, respectivamente, também em função das vendas em dólares, que representam entre 80% e 90% das receitas destas companhias.

No caso de Fibria e Suzano, apesar da mesma proporção de receita estar vinculada à moeda norte-americana, um cenário de valorização do real as favoreceria, em função de grande parte das dívidas destas empresas estarem em dólares e não-hedgeadas. Isso, segundo o banco, faria com que a valorização do real acabasse tendo um efeito positivo nos ganhos dessas companhias. 

Estatais com cenários diferentes
Neste mesmo cenário, o BTG aponta que a Petrobras se beneficiaria, ao menos no curto prazo, de uma possível valorização do real, haja vista que 40% de suas vendas não estão automaticamente vinculadas à oscilações do câmbio.

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Já outra estatal, a Eletrobras, sofreria perdas em função dos recebíveis em dólar, provenientes da Itaipu Binacional, o que afetaria sua receita e Ebitda, segundo relatório assinado por Carlos Sequeira, Antonio Junqueira e Bernardo Miranda.

Quem ganha e quem perde no curto prazo com a alta do real:

Empresa Código Visão do BTG
GOL GOLL4  Ganha 
JBS JBSS3 Perde
Marfrig MFRG3 Perde
BR Foods BRFS3 Perde
Embraer EMBR3 Perde
Usiminas USIM5 Perde
Gerdau GGBR4 Perde
CSN CSNA3 Perde
Fibria FIBR3 Ganha
Suzano SUZB5 Ganha
Petrobras PETR3, PETR4 Ganha
Eletrobras ELET3, ELET6 Perde