Para atrair consumidor, comércio prorroga ofertas e aumenta parcelamentos

De acordo com a Associação Comercial de São Paulo, motivos vão desde clima até situação atual da economia

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SÃO PAULO – O consumidor ganhou várias regalias para não interromper suas compras nesse começo de ano. Os prazos para pagamento estão maiores exatamente por conta da “turbulência” de gastos rotineira do começo de ano. Além disso, as promoções de troca de estação, que normalmente acabam no início deste mês para a exposição das peças outono/inverno, ainda podem ser encontradas pelas lojas da capital.

As informações são de Marcel Solimeo, superintendente do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Culpa do calor

De acordo com o economista, essa mudança no perfil do varejo da capital é menos conjuntural e mais decorrente dos fenômenos naturais. “Que consumidor vai entrar em uma loja, nesse calor, que venda blusas de frio?”, indagou. Por conta do clima, aqueles comércios que ainda têm estoque, em vez de deixar as roupas da antiga estação no fundo do depósito, decidem colocá-las em exposição como forma de não espantar o comprador – o que aumenta o prazo das liquidações.

“Já aquelas que estão com menos peças trocam a vitrine aos poucos, com peças de meia-estação”, explicou.

Solimeo, no entanto, afirmou que em dezembro as compras realmente não aumentaram tanto quanto o esperado, o que rendeu maior sobra de mercadoria no início de 2007: as vendas cresceram 3,2% no último mês do ano, enquanto o ritmo de comercializações de 2006 estava na casa dos 5%.

Mais tempo para pagar

Outro ponto percebido pelo economista é a ampliação do vencimento da primeira quota, em caso de parcelamento, assim como maior tempo para pagar o débito. “As lojas ampliaram o parcelamento de cinco para oito vezes, de dez para 12; e deram mais tempo para o consumidor começar a pagar”, explicou.

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Essa ampliação da tolerância com o consumidor não é decorrente do aumento da inadimplência, na casa de um ponto porcentual de 2005 para 2006 (de uma média de 4%/5% para 5%/6%), mas sim dos constantes cortes da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 12,75% ao ano.

“Apesar do corte ser feito em um ritmo devagar, a tendência é de que ela continua caindo. Quando estamos nesse cenário, existe uma facilitação da ampliação de prazos, porque há um horizonte favorável na economia”, explicou Solimeo. Acrescido a isso, comenta o economista, está a ampliação da concorrência do comércio, que com o intuito de fisgar e fidelizar os clientes, faz com que o pagamento seja feito da maneira mais tranqüila possível.