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SÃO PAULO – Entre a decepção com a ausência de novidades no plano de reformas econômicas para os próximos 10 anos na China e as dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve nos EUA, o Ibovespa caminha para mais um pregão de queda. Segundo cotação das 10h26 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 0,59%, indo para 51.546 pontos. Mantida a tendência, será a 6ª queda nos últimos 7 pregões, totalizando perdas de 5,3% no período. Vale lembrar que na véspera o índice chegou ao seu menor fechamento desde 4 de setembro.
Contribuindo para a queda desta quarta-feira (13), as duas principais blue chips do índice apresentam significativas perdas nos minutos iniciais do pregão: Vale (VALE3, R$ 35,13, -1,84%); VALE5, R$ 31,93, -1,54%) e Petrobras (PETR3, R$ 18,35, -1,40%; PETR4, R$ 19,36, -0,97%), que juntas respondem por cerca de 23% da composição do Ibovespa. Para a mineradora, além da recepção ruim dos sinais da China – principal destino das exportações da companhia -, repercute negativamente a notícia de que o PMDB quer patrocinar uma emenda ao novo marco regulatório da mineração, que estabelece a cobrança de uma participação especial sobre jazidas de grande lucratividade. O movimento derruba também as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 24,41, -2,16%), holding que possui forte participação no capital da Vale.
Já a petrolífera ganha os holofotes do mercado: segundo uma fonte do Executivo que acompanha as discussões disse à Reuters, o governo vem resistindo à metodologia de reajuste de combustíveis apresentada pela diretoria da petroleira. Ainda sobre a estatal, foi informado na véspera uma proposta de incorporação de duas empresas, a PIFCo e a CRSec, e também a confirmação da venda de 100% da Petrobras Energia Peru para a CNPC (China National Petroleum Corporation) – uma de suas sócias no consórcio do pré-sal no campo de Libra, pelo valor de US$ 2,6 bilhões.
Após resultados, Gol cai; Marfrig e Oi sobem
A continuidade da temporada de resultados trimestrais também segue tendo repercussão na Bovespa. Ainda entre as maiores perdas do dia, aparece a Gol (GOLL4, R$ 9,80, -1,71%), que caminha assim para sua 7ª queda consecutiva, com desvalorização acumulada na faixa de 15%. A companhia aérea conseguiu reduzir seu prejuízo no terceiro trimestre deste ano em 36,3% em relação a igual período do ano passado, ficando em R$ 197 milhões. Contudo, os temores acerca da forte exposição da empresa ao dólar seguem pressionando as ações no curto prazo.
Já na ponta positiva, a Marfrig (MRFG3, R$ 4,38, +1,86%) aparece como uma das poucas ações do Ibovespa a apresentar alta superior a 1%. A empresa de alimentos encerrou o terceiro trimestre com prejuízo líquido de R$ 194 milhões, reduzindo o resultado negativo de R$ 478,7 milhões sofrido no trimestre imediatamente anterior. O Ebitda ajustado avançou 34% na mesma base de comparação, para R$ 375,2 milhões. A margem passou de 6,3 para 7,6%.
A operadora de telecomunicações Oi (OIBR3; R$ 3,73, +1,63%; OIBR4, R$ 3,57, +1,13%) também vê suas ações subirem após o balanço do 3º trimestre. A companhia apresentou ueda de 70,7% no lucro líquido trimestral, ante igual período de 2012, totalizando R$ 172 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 2,139 bilhões entre julho e setembro, queda de 2,3% sobre igual período do ano passado.
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O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,80, +0,75%) também aparece entre as principais altas do Ibovespa nesta manhã, corrigindo parcialmente a forte queda de 5,3% que ela teve na véspera, quando os investidores repercutiram negativamente os números trimestrais do banco e a redução nas projeções para os próximos resultados.
Decepção chinesa
O primeiro comunicado da crucial reunião do Partido Comunista da China para estabelecer os planos da agenda de reformas para a próxima década forneceu poucos detalhes concretos, mesmo após um conclave de quatro dias de seu Comitê Central. Embora o documento tenha mencionado várias áreas de reforma, sua linguagem foi ainda mais geral do que alguns esperavam e destacou explicitamente a importância do setor estatal para a economia. Até mesmo o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, também lamentou a falta de detalhes e disse esperar reunir mais informações sobre políticas específicas em discussões com a China.
Diante disso, índice Shangai Composite teve baixa de 1,83% nesta sessão, a 2.087 pontos – seu pior fechamento desde 23 de agosto.
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Sinais confusos do Fed; Bernanke vai falar
Além da China, o Fed continua trazendo temor ao mercado, em meio às falas “confusas” e diversas dos integrantes da autoridade monetária. Na véspera, o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que a redução do “Quantitative Easing 3” – programa de compras mensais de US$ 85 bilhões em títulos – do banco central dos EUA permanece como uma possibilidade na próxima reunião de política, em 17 e 18 de dezembro, embora tenha dito que a política deve continuar expansionista.
Os sinais de autoridades do banco central têm sido mistos, com o presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, falando sobre a necessidade de ação agressiva para estimular o crescimento. Desde maio, as bolsas mundiais vêm sendo norteadas pelos sinais que a autoridade monetária dá sobre se continuará com o mesmo ritmo do QE3 ou se vai diminuir o tamanho da injeção mensal de capital
Diante de tudo isso, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fará discurso nesta quarta-feira no Town Hall of Teachers. Ainda na agenda norte-americana, atenção aos números dos pedidos de hipotecas até a última sexta-feira (8) e ao resultado fiscal do país referente a outubro.
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Reino Unido traz alívio
A despeito dos sinais negativos de EUA e China, o Reino Unido tenta trazer um alívio aos investidores. Por lá, o BC informou que a taxa de desemprego da Grã-Bretanha deverá cair mais rápido do que foi previsto anteriormente, podendo chegar aos 7% estimados nos últimos três meses de 2014 – a projeção anterior era de que isso fosse alcançado em 2016. Já a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013 passou de 1,4% para 1,6%; para 2014, a projeção é de 2,8% de alta.
“No Reino Unido, a recuperação finalmente ganhou fôlego. A economia está crescendo de forma robusta conforme a diminuição da incerteza e o abrandamento das condições de crédito começam a destravar a demanda sufocada”, informou o banco em seu relatório trimestral de inflação. Vale mencionar que a taxa de desemprego por lá se aproximou de 7%, nível no qual o BC pode começar a considerar a possibilidade de elevar os juros.
Ainda no velho continente, a produção industrial da zona do euro caiu 0,5% em setembro na comparação com agosto, pior do que o esperado pelo mercado, mas registrando alta de 1,1% em relação ao mesmo mês do ano passado em termos ajustados.