Ibovespa perde tom morno, segue EUA e cai mais de 1%

Apesar dos indicadores positivos na Alemanha, Itália e EUA, investidores mostram temor após presidente do Fed de Atlanta falar sobre retirada de estímulos; por aqui, 8 empresas soltam balanços

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SÃO PAULO – Após operar por cerca de 40 minutos próximo da estabilidade, o Ibovespa perde o tom morno esperado para esta semana e firma queda nesta terça-feira (6). O índice oscilou entre perdas e ganhos no começo das negociações, em meio às diversas referências positivas vindas da Europa e dos EUA, mas o discurso do presidente do Fed de Atlanta ofuscou os indicadores e derrubou primeiramente os índices norte-americanos e brasileiro, para momentos depois, afetar também o desempenho das bolsas europeias, que caem entre 0,42% e 1%. 

Segundo cotação das 12h21 (horário de Brasília), o índice de ações brasileiro recuava 1,48%, a 47.717 pontos, acompanhando os índices acionários norte-americanos, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq, que caem cerca de 0,8% no mesmo horário.

Em discurso, o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que o Federal Reserve pode iniciar a retirada do Quantitative Easing 3 em qualquer uma das três reuniões restantes neste ano: em setembro, outubro ou dezembro. Vale mencionar que Lockhart não é um membro votante nas reuniões de política monetária dos EUA.

A notícia coloca as boas referências da agenda econômica em segundo plano: a Itália surpreendeu ao registrar uma contração menor que a esperada no PIB (Produto Interno Bruto) do 2º trimestre, ofuscando o avanço menor que o previsto da produção industrial. A Alemanha também surpreendeu ao mostrar que os pedidos feitos à indústria subiram 3,8% em junho, ante recuo de 0,5% no mês anterior e expectativa de avanço de 1,1%. Já na Grã-Bretanha, a produção industrial avançou 1,1%, ante projeções de 0,7%. Passando para os Estados Unidos, a balança comercial mostrou o menor déficit em 3 anos e meio, dando uma sinalização positiva para o crescimento econômico do país.

O discurso de membros do Federal Reserve tem movimentado o apetite por risco dos investidores com questões acerca do início da retirada do programa de estímulos norte-americano, o Quantitative Easing 3, que prevê a compra de até US$ 85 bilhões em títulos públicos. Na véspera, o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, disse esperar que a autoridade monetária decida pelo início da retirada em sua reunião já em setembro. Fisher é conhecido por ser contra o QE3; por outro lado, ele não vota nas reuniões do Fomc (Federal Open Market Comittee) e assim, seu comentário teve pouco impacto nas bolsas mundiais. Já Charles Evans, do Fed de Chicago, contribui com as decisões do comitê e discursará hoje, às 14h.

65 ações em queda
O índice brasileiro é pressionado pela queda de 65 das 71 ações que compõem o índice. Entre os ativos que conseguem vencer o dia negativo e operar em alta, apenas Hering (HGTX3, R$ 31,76, +1,79%) e Copel (CPLE6, R$ 28,35, +1,50%) sobem mais de 1%.

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Já no lado negativo, as blue chips Petrobras (PETR3, R$ 15,40, -2,41%; PETR4, R$ 16,32, -1,98%) e Vale (VALE3, R$ 31,10, -1,43%; VALE5, R$ 28,46, -0,94%) pesam sobre o Ibovespa, uma vez que juntas, respondem por cerca de 20% da composição do índice.

Ainda na ponta negativa, as maiores quedas ficam com Oi (OIBR3, R$ 4,58, -4,38%; OIBR4, R$ 4,26, -3,40%), Fibria (FIBR3, R$ 24,18, -3,67%), Brookfield (BISA3, R$ 1,59, -3,64%) e PDG (PDGR3, R$ 1,76, -3,30%). 

O dia negativo ofusca também a temporada de resultados, que contou com a divulgação de 8 empresas, das quais apenas a Guararapes (GUAR4, R$ 79,75, +1,36%), dona da Riachuelo, e a Marcopolo (POMO4, R$ 6,64, +0,68%) respondem positivamente ao balanço. 

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Ainda entre os resultados, a Itaúsa, holding que detém participação no banco Itaú Unibanco, registrou aumento de 6,5% no lucro do segundo trimestre ante igual período do ano passado, ajudada pelos resultados do maior banco privado no país. O conglomerado teve lucro líquido de R$ 1,18 bilhão entre abril e junho, ante R$ 1,11 bilhão no mesmo trimestre de 2012. As ações do banco (ITUB4, R$ 29,12, -1,05%) e da holding (ITSA4, R$ 8,35, -2,22%) apresentam queda após o resultado.

Já a ALL registrou prejuízo de R$ 74,4 milhões, ante lucro de R$ 154 milhões vistos no segundo trimestre do ano passado. A receita da ALL (ALLL3, R$ 8,87, -2,85%) subiu 11,9% no período, para R$ 1,034 bilhão. Já o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado subiu 12,6%, para R$ 578,4 milhões.