OGX sobe quase 30% e deve ter a melhor semana de sua história

Ânimo com petroleira de Eike Batista deve-se mais às especulações de venda do que a uma real mudança sobre a perspectiva da companhia para longo prazo, diz analista

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SÃO PAULO – As ações da OGX Petróleo (OGXP3) caminham para fechar em sua melhor semana da história, acumulando até às 12h31 (horário de Brasília) desta sexta-feira valorização de 29,41% – a última maior alta semanal foi em novembro de 2008, de 27,65%.

No mesmo horário, os papéis registravam alta de 4,76% neste pregão, sendo cotados a R$ 1,76, enquanto o Ibovespa recuava 0,62%, a 54.624 pontos. Na máxima do dia, atingiram ganhos de 7,74%, a R$ 1,81. 

O desempenho, contudo, reflete mais rumores de que a empresa estaria perto de respirar mais aliviada diante desse lamaçal no qual vem se enterrando desde 2012, quando o mercado começou a desconfiar das promessas de Eike Batista, controlador da OGX, sobre a produção de petróleo após os números virem bem abaixo das projeções, do que uma real mudança de perspectiva do mercado sobre a empresa. 

“A produção da companhia continua inferior à expectativa do mercado, o que não dá margem para acreditar numa melhora operacional. O movimento deve-se mais a rumores do que a uma visão mais otimista para a empresa”, disse o analista Luis Gustavo Pereira, da Futura Investimentos. 

No último domingo, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria na qual apontava que o socorro ao combalido Grupo EBX estaria próximo e começaria pela petroleira OGX. O plano envolveria um sócio russo, a venda de ativos para a estatal da Malásia e parcerias com a Petrobras (PETR3; PETR4) em novos campos de petróleo. 

Segundo a publicação, o centro da estratégia da OGX estaria na Lukoil, quarta maior petroleira privada do mundo, para qual venderia cerca de 40% do capital total. A fatia, segundo executivos próximos à operação, seria suficiente para que os russos pudessem consolidar os números da OGX em seu balanço sem que Eike perdesse o posto de controlador de sua petroleira, considerada a “joia da coroa” do seu grupo.

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Veja mais: Entenda por que a Lukoil poderia salvar a OGX

Um dia após a divulgação da matéria, contudo, a Lukoil negou interesse em comprar a fatia da brasileira. E, posteriormente, a OGX comunicou ao mercado que, embora permaneça em permanente contato com vários investidores, todas as possibilidades estariam em estágio prematuro e sem características necessárias de ensejar algum comunicado ao mercado. 

Paralelamente, a OGX negocia a venda de fatia do campo de Tubarão Martelo, por US$ 1 bilhão, com a Petronas, enquanto movimenta-se para fechar parcerias com a Petrobras (PETR3; PETR4) em campos já em operação. A empresa, entretanto, não confirma nenhuma movimentação.

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Porém, mesmo com as negativas, o mercado continuou “animado” de que esse plano pudesse sair do papel, uma vez que a venda traria alívio imediato à OGX, que precisa se capitalizar para cumprir com suas obrigações. Entretanto, o analista reforça que “a perspectiva para a empresa não mudou e o cenário para as ações ainda é negativo. Não deve alterar o curso das ações daqui para frente”. No ano, os papéis da petroleira acumulam desvalorização de 59,59%. 

De um lado rumores positivos; do outro, a tormenta
Recentemente, bancos internacionais cortaram o preço-alvo dos papéis, sendo o mais pessimista o Deutsche Bank, que enxerga a ação a R$ 0,80 – o que representaria uma queda de 52,38% em relação ao fechamento de ontem. 

Diante desse panorama turbulento no qual a empresa se encontra – de um lado rumores de que a empresa estaria perto de desafogar seu caixa; de outro, um mercado ainda temoroso -, o aluguel de ações da companhia disparou no último pregão e atingiu o patamar recorde de 267,8 milhões, o que corresponde a 21,37% das ações em circulação no mercado, patamar que só foi possível por conta de uma nova regulamentação da BM&FBovespa, que elevou o limite de 20% para 30%. 

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Um operador de mercado também chama atenção para a alta taxa de aluguel dos papéis, que supera os 27%, vista como elevada pelo mercado.