Dólar sobe 0,77% e fecha a R$ 1,833, maior patamar desde 9 de janeiro

Referências internacionais ajudaram a aumentar o clima de aversão ao risco; Mantega não descarta novas medidas no câmbio

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SÃO PAULO – O dólar comercial manteve-se no campo positivo durante toda o intraday desta terça-feira (10), impulsionado pelo clima negativo que predominou no mercado, fechando com valorização de 0,77% e cotado a R$ 1,833 na venda. É a maior cotação de fechamento da divisa norte-americana desde 9 de janeiro deste ano, quando ela terminou a R$ 1,8347.

Além da aversão ao risco demonstrada pelos investidores – o que contribui para aumentar a procura por investimentos mais conservadores, como é o caso do dólar -, o tom do discurso de Guido Mantega também ajudou a impulsionar as cotações da moeda. O ministro da Fazenda disse que o o governo brasileiro continuará adotando uma política contra a valorização do real frente ao dólar, para garantir a competitividade da indústria nacional.

Mantega disse ainda que o governo continuará a estimular a expansão do mercado interno, destacando sua importância para o crescimento da economia brasileira.

Front internacional pressiona
O front europeu foi o principal responsável pela aversão ao risco verificada no mercado durante esta sessão. O saldo comercial da Alemanha apontou um resultado de € 14,7 bilhões, abaixo dos os € 13,2 bilhões de janeiro. Por sua vez, a conta corrente da Alemanha, ficou abaixo do estimado pelos analistas, registrando € 11,1 bilhões, inferior aos € 12 bilhões esperados.

Vale destacar ainda o sentimento do investidor da Zona do Euro caiu em abril após três altas consecutivas, segundo o grupo de pesquisas Sentix. O índice recuou para -14,7 pontos frente aos -8,2 pontos de março. O subíndice sobre expectativa também caiu para -9,3 ante -2,3 no mês anterior, enquanto a leitura sobre as condições atuais decresceram para -20,0 ante -14,0. Especificamente na Alemanha, o indicador caiu 7 pontos, para -1, informou o Sentix.

Ainda no cenário internacional, a China também pressionou os mercados. A balança comercial de março, divulgada pela manhã, apontou superávit comercial de US$ 5,35 bilhões e foi vista como negativa pelos analistas, tendo em vista que as importações avançaram a um ritmo bem menor que no mês anterior, especialmente a de máquinas, o que sugere uma atividade econômica mais fraca.

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Além disso, nos Estados Unidos, o Wholesale Inventories, mostrou que o nível de estoques do atacado subiu 0,9% em fevereiro na comparação mensal com ajuste sazonal. Uma média de projeções compiladas pelo portal Briefing indicava uma alta de 0,5%. Já as vendas do setor terminaram 1,2% acima do mês anterior, em base dessazonalizada, enquanto os analistas esperavam avanço de 0,7%.

Dólar comercial, futuro e Ptax
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8323 na compra e R$ 1,8330 na venda, alta de 0,77% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 0,37% em abril, frente à alta de 6,15% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 1,90%. 

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio  segue cotado a R$ 1,841, valor acima do fechamento de R$ 1,827 da última segunda-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, atinge a marca de R$ 1,852 frente  aos R$ 1,839 verificados na sessão anterior.

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O dólar Ptax, que referencia os contratos futuros na BM&FBovespa, fechou a R$ 1,8317, alta de 0,31% sobre a cotação de segunda-feira, que foi de R$ 1,826.

Dólar pronto e FRA de Cupom
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,8325000.

Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, opera a 1,10 para junho de 2012.