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SÃO PAULO – Dados do último relatório mensal da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) mostraram o bom desempenho de uma modalidade de fundos ainda pouco conhecida dos investidores, mas que se beneficia de momentos de grande volatilidade do mercado: os fundos “Long & Short“. Trata-se de fundos que investem em pares de ativos do mesmo setor, mas acreditando na valorização de um e na desvalorização do outro.
“A ideia é você operar no valor relativo entre dois ativos. ‘Long’ é quando o fundo está comprado no ativo e ‘Short’ é quando está vendido no outro ativo. O fundo compra um ativo que está subvalorizado e vende outro que está sobrevalorizado, ganhando nessa diferença ente esses ativos”, esclarece Nilvio Fecchio, superintendente de Asset Management da Besaf – BES Ativos Financeiros -, que acaba de lançar um novo fundo com este perfil, mas que só estará disponível em 2012.
Segundo dados da Anbima referentes ao último dia 13 de outubro, os fundos Long & Short tipo Neutro obtiveram rentabilidade de 0,71% nos últimos 30 dias, acumulando uma performance positiva de 8,89% no ano. Por sua vez, os fundos Long & Short tipo Direcional tiveram um rendimento médio de 0,64% também no intervalo de 30 dias, com um acumulado no ano de 8,19%. O desempenho destoa não apenas dos outros fundos da indústria brasileira, mas também se comparado com o Ibovespa, que em em 30 dias e no acumulado do ano mostrou quedas de 3,81% e 23,29%, respectivamente.
Diante da boa rentabilidade da aplicação, que segundo os especialistas consultados apontou significativo incremento de meados de 2010 para cá, vale a pena aplicar nestes fundos agora? Para aqueles que possuem maior apetite por risco e já possuem uma parcela das suas aplicações direcionadas para a renda variável, os entrevistados respondem: sim!
Fundo para investidor “educado”, não agressivo
“O perfil do investidor para este tipo de aplicação não precisa ser necessariamente agressivo, mas um pouco mais ‘educado’ pois trata-se de uma operação mais complexa. É necessário ter uma noção de como o fundo funciona, para gerenciar sua própria ansiedade. O investidor deve alocar nesse fundo uma fração daquilo que já é destinado para a renda variável”, explica o educador financeiro da Moneyfit, André Massaro.
Neste tipo de fundo é possível ganhar mesmo quando o ativo em se que está comprado aponta desvalorização, desde que ela seja menor do que a retração marcada pelo ativo em que se está vendido. “Os fundos são compostos por vários pares, uma ação contra outra, ou podem ser de setores contra setores, como também podem ser de carteira contra índice, neste caso quando sua posição vendida é um índice”, ressalta Bruno Lima, gestor de renda variável da Besaf – BES Ativos Financeiros.
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Como esse spread entre os ativos, que determina o momento de ‘trocar’ de posições, é calculada pelo gestor do fundo? Há duas formas: estatisticamente, analisando séries históricas de variações dessas empresas, deixando de lado impactos sazonais, como resultados; ou por meio da análise fundamentalista, avaliando os fundamentos da empresa e os detalhes de cada companhia e do setor.
“O interessante dos fundos Long & Short é que eles independem do movimento direcional bolsa, pois o gestor isola o componente que lhe interessa, ou seja, a relação entre os ativos escolhidos. O gestor estabelece uma meta a partir de determinado cenário e quando chega próximo, ele inverte suas posições”, diz José Eduardo Araújo, diretor comercial da GAP Asset Management.
Diferenças entre L&S Neutro e L&S Direcional
O fundo Long & Short Neutro é aquele que investe em pares de ativos com a mesma posição financeira no comprado e no vendido. Assim o investidor está neutralizado, estabelecendo uma baixa correlação com o mercado. “Quando valores diferentes são aportados nas operações de compra e venda, há uma tomada de direcionamento por parte do fundo e do gestor, que acredita em determinado movimento do mercado, este é o Long & Short direcional”, explica Fecchio.
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Lembrando que, e segundo a Anbima, ambos admitem alavancagem e que os recursos remanescentes em caixa devem ficar investidos em operações permitidas ao tipo Referenciado DI.
Taxas e aportes
Por sua vez, a taxa de administração e o investimento inicial em fundos como estes podem variar bastante no mercado, valendo fazer uma pesquisa antes de aplicar. No site “Como Investir”, também da Anbima, é possível consultar fundos desta modalidade, inclusive comparando taxas de administração, aporte inicial, rentabilidade passada entre outros aspectos muito relevantes na hora de tomar uma decisão.
Por lá, foram encontrados fundos com aportes iniciais que variam de R$ 1 a R$ 100 mil, além daqueles que não fixam valores mínimos para o primeiro aporte. É importante ficar atento ao item “aporte adicional”, que determina o valor das aplicações subsequentes, podendo variar nos mesmo moldes do investimento inicial. Por fim, as taxas de administração vão de 0% a 4% ao ano.
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Além de avaliar tudo isso, Araújo recomenda “é importante pesquisar a performance do fundo pelo maior período possível, pelo menos cinco anos, e sua consistência, bem como o histórico do gestor.”