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SÃO PAULO – Em 2010, a administração da Fibria (FIBR3) adotou várias medidas para gerir o endividamento da empresa e prepará-la para um ciclo de crescimento nos próximos anos. A companhia, produto da união entre Aracruz Celulose e Votorantim Celulose e Papel, vendeu a unidade Guaíba, emitiu dois bônus e refinanciou o saldo da dívida oriunda das perdas com derivativos da Aracruz.
O passo mais recente dentro dessa estratégia foi a venda dos ativos da Conpacel e da KSR para a Suzano (SUZB5) no início deste ano, por R$ 1,5 bilhão. Destes, a companhia já recebeu R$ 1,450 bilhão, restando 50 milhões que devem ser pagos à Fibria até o final de fevereiro.
As iniciativas adotadas no ano passado, que ainda envolveram alongamento do prazo dos compromissos da companhia e diminuição do serviço da dívida, aliados a esforços para melhoria da eficiência operacional da Fibria, foram suficientes para reduzir a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e margem Ebitda (relação entre receita e geração operacional de caixa), da empresa para 3,6x. A relação era de 6,5x no último trimestre de 2009.
Mais crescimento, menos dívidas
João Elek, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa, afirmou, durante teleconferência com acionistas sobre o resultado apresentado nesta manhã, que a destinação dos recursos obtidos pela venda da Conpacel serão utilizados primordialmente para diminuir a alavancagem da companhia, e que é uma “meta realista” estimar que em 2011 a relação entre dívida líquida e margem Ebitda passará para 2,5x ou 3,0x.
“Se a empresa mantiver a eficiência, com margem Ebitda de 40%, como registramos no ano passado, essa é uma meta realista e possível de ser executada”, afirmou o executivo. Neste esforço, a Fibria também ficará de olho em 2011 em “eventos de liquidez”, como a administração da empresa se refere a possíveis alienações de ativos.
Carlos Aguiar, presidente da Fibria, afirmou que, se houver, eventos de liquidez seriam excelentes para o projeto de expansão da empresa. A planta de Piracicaba, disse o presidente, poderia ser alvo de uma operação do tipo, caso a empresa receba uma boa proposta.
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Janelas de oportunidade
A companhia encerrou o ano de 2010 com dívida bruta de R$ 12,06 bilhões, uma redução de 20% em relação à dezembro de 2009. A amortização da dívida com os ex-acionistas da Aracruz também teve papel de destaque para esse decréscimo. Em julho deste ano, a companhia ainda deverá pagar R$ 600 milhões nesta rubrica, mas a administração classifica esse compromisso como “desafio realista”, além dos R$ 856 milhões já liquidados em janeiro.
Apesar de não pretender refinanciar esses compromissos, a companhia está atenta a janelas de oportunidade no mercado de capitais, procurando meios para alongar a maturação e baratear o serviço da dívida. “Sempre que tivemos oportunidade fizemos isso”, afirmou João Elek, que observou ainda que o atual custo da dívida da Fibria em moeda estrangeira é de 5,9%, quanto esse indicador já foi de 7,1% em um passado recente.
A empresa aguarda ainda receber grau de investimento de agências de classificação de risco, o que tornará mais barato para a Fibria fazer captações ou mesmo pagar juros dos compromissos já existentes. No ano passado, a Moody’s e a Fitch revisaram a perspectiva para a nota de crédito da Fibria de “estável” para “positiva”.
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Para os acionistas, volta dos dividendos
Por causa da redução do perfil da dívida e da situação financeira mais confortável, a empresa apresentará proposta, que será votada em Assembleia ao final de abril, de pagamento de dividendos relativos ao exercício de 2010 e também de 2009. No ano retrasado, a companhia discriminou dividendos por ação, mas lançou mão de um artigo da Lei das S.A. que permitia, por causa do endividamento da companhia, adiar a remuneração aos acionistas.
O endividamento da companhia é devido principalmente às perdas com derivativos cambiais da Aracruz em 2008. Na época, a empresa ficou em posição extremamente delicada após ter prejuízo de quase R$ 2 bilhões com essas operações, o que ensejou a compra da companhia pela VCP.