Dólar opera em alta, com clima externo ruim e mercado de olho na agenda

No Brasil, atenções se voltam para corte do Orçamento e IGP-M, que teve aumento de 0,66% na primeira prévia de fevereiro

Publicidade

SÃO PAULO – O dólar comercial opera em alta de 0,42%, cotado a R$ 1,6680 na venda nesta quinta-feira (10), com o mercado aguardando dados do mercado de trabalho dos EUA e avaliando indicador de inflação brasileiro. O clima externo negativo, com os futuros dos EUA e os principais índices europeus em baixa, também repercute nas cotações da divisa. 

No cenário doméstico, o mercado ainda avalia o corte de R$ 50 bilhões do Orçamento de 2011 anunciado na véspera por Miriam Belchior e Guido Mantega, ministros do Planejamento e da Fazenda, respectivamente.

Do Orçamento aprovado pelo Congresso, o governo reviu a previsão com receitas líquidas de transferência de R$ 819 bilhões para R$ 891,7 bilhões. Já as despesas, com a redução de R$ 50 bilhões, passarão para R$ 719 bilhões, o que resultará em resultado positivo de R$ 81,8 bilhões.

De acordo com Mantega, o resultado fiscal do mês de janeiro já apresentará resultado do congelamento de despesas da máquina pública.

No campo inflacionário, o IGP – M (Índice Geral de Preços – Mercado), marcou variação de 0,66% na primeira prévia de fevereiro, contra alta de 0,42% em mesmo intervalo do mês passado. Além disso, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulga os indicadores industriais de dezembro e o consolidado do ano de 2010.

Ainda por aqui, o mercado centra as atenções aos comentários do diretor de Política Monetária do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, sobre as operações de crédito em nível nacional. Os investidores esperam conseguir alguma indicação sobre como o BC está avaliando o impacto das medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado.

Continua depois da publicidade

Cenário externo
No cenário internacional, a agenda norte-americana traz referências como o Initial Claims, que traz o número de pedidos de seguro-desemprego registrado nos EUA na última semana. Vale lembrar que, na véspera, o presidente do Fed, Ben Bernanke, afirmou que apesar de otimista com uma recuperação do país, o mercado de trabalho ainda não mostrou a melhora necessária, impedindo uma retomada sustentável da economia por lá. 

Além disso, a agenda também conta com o Wholesale Inventories, trazendo informações sobre as vendas e os estoques do setor atacadista norte-americano, e o Treasury Budget, com os dados mensais do orçamento governamental.

Na Europa, atenção à decisão de juros do BoE (Banco da Inglaterra). A autoridade monetária britânica manteve a taxa de juro inalterada em 0,5% ao ano, e também não promoveu alterações nos estímulos, como esperado pelo mercado.

Continua depois da publicidade

Valorização do real
As medidas do governo para conter a moeda brasileira forte adicionaram mais inflação ao País, já que o real forte atuava como um amortecedor interno do aumento dos preços das matérias-primas no exterior.

Para o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwarstsman, desde que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, começou a chamada “guerra cambial” é possível perceber uma inconsistência entre a política monetária e a política cambial no Brasil. “A monetária tem como objetivo baixar a inflação, mas a cambial faz o contrário, pressiona a inflação para cima”, afirma.

O Santander revisou na véspera suas projeções para o dólar: agora, a estimativa é que a divisa norte-americana atinja R$ 1,55 ao final de 2011, bem abaixo do R$ 1,85 previsto anteriormente. 
<!–
Confira a variação do dólar durante os últimos 30 dias:
–>