Queda do dólar segue prejudicando produtoras de celulose, avalia Link

Mesmo assim, corretora destaca que vantagem competitiva brasileira ainda é forte; dívida da Fibria, no entanto, preocupa

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SÃO PAULO – A desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real segue prejudicando as produtoras brasileiras de papel e celulose, avaliou a Link Investimentos nesta terça-feira (7). De acordo com o analista Leonardo Alves, contudo, a vantagem competitiva brasileira ainda é forte.

Os primeiros meses deste ano marcaram um período bastante positivo para as companhias do setor, segundo Alves. Contudo, o analista explica que o fluxo de notícias recente tem mudado em partes este cenário. “Com a demanda oscilante, possíveis reduções nos preços são comentadas, aliado a isso a forte desvalorização do dólar prejudica as projeções das companhias”, disse.

Cabe mencionar que os preços da celulose no mercado internacional seguem registrando baixas, conforme os últimos dados revelados pela consultoria finlandesa Foex – referência no setor. Este mercado também segue pressionado pela perspectiva de que haja restrições ao crédito na China no início de 2011. Vale lembrar que o mercado chinês é um dos principais compradores de celulose no mundo.

Perspectivas ainda são otimistas
Mesmo com isso, Alves segue com perspectivas otimistas para o segmento. Isso porque, de acordo com o analista, a demanda deve continuar crescendo e a oferta ainda deve demorar a entrar em operção.

“As duas principais empresas do setor investem em melhoramento genético para manter a boa produtividade, e com as condições favoráveis brasileiras, o País se manterá como um dos principais produtores de celulose do mundo”, avaliou o analista.

Fibria e Suzano
No caso da Fibria (FIBR3) há ainda um outro agravante: o elevado endividamento da companhia. De acordo com a Link, a alta dívida da produtora de celulose ainda representa um alto risco e afeta negativamente os resultados da empresa, limitando um potencial de valorização da ação.

“A Fibria vem conseguindo reduzir seu grande endividamento, porém isso ainda levará algum tempo, o que prejudicará investimentos futuros”, disse Alves. Por esse motivo, a Link manteve seu rating de desempenho em linha com a média do mercado para as ações da Fibria, com um preço-alvo de R$ 33,00.

Por outro lado, mesmo ressaltando a recente performance negativa dos papéis, a Link avalia que os últimos resultados e os próximos investimentos afetam positivamente as ações da Suzano (SUZB5), com recomendação de desempenho acima da média do mercado e target de R$ 24,00. “O segmento de papel é importante para a Suzano nesse momento, já que traz a diversificação ao mercado de celulose e garante retornos mais estáveis”, completou Alves.