Lucro líquido e Ebitda do Pão de Açúcar decepcionam no segundo trimestre

Programa de parcelamento de impostos e aumento das despesas pressiona o resultado da varejista; ações recuam forte nesta tarde

Publicidade

SÃO PAULO – Análises parecidas, interpretações diferentes. Embora os pontos destacados pelos analistas de mercado acerca do resultado trimestral do Grupo Pão de Açúcar (PCAR5) tenham mostrado certa uniformidade em seus respectivos relatórios, as conclusões tiradas por eles – sobretudo para a recomendação dos papéis da companhia – não apresentam a mesma uniformidade.

Divulgado na noite anterior, os números do segundo trimestre da varejista sinalizaram crescimento de 9,9% em suas venda mesmas lojas na comparação com o mesmo período de 2009. Embora a receita tenha agradado, o mesmo não pode ser dito a outros importantes indicadores, principalmente o lucro líquido e o Ebitda (geração operacional de caixa) – o primeiro, aliás, fortemente prejudicado pelo programa de parcelamento de impostos adotado pelo grupo.

“Neste trimestre, vemos uma queda de margem Ebitda (Ebitda sobre Receita Líquida) do Grupo Pão de Açúcar na passagem anual, pois a companhia não conseguiu compensar a menor margem bruta com diluição de despesas”, afirma a analista Juliana Campos, da Ativa Corretora, que avaliou o resultado como “marginalmente negativo, pois, apesar de ter vindo em linha com as nossas estimativas, ele veio abaixo do consenso do mercado em termos de Ebitda e lucro líquido”.

Entre abril e junho deste ano, o lucro líquido da empresa ficou em R$ 82,5 milhões, o que indica uma queda de 37,4% em relação vistos no mesmo período de 2009. Além disso, o número veio 31,1% abaixo dos R$ 120 milhões estimados por Juliana. Segundo a analista, a queda reflete o efeito não-recorrente de parcelamento de impostos. “Excluindo esses itens, o lucro ficou em R$ 127 milhões, 6,1% acima de nossas projeções”, disse.

A mesma opinião acerca dos ganhos do Pão de Açúcar é apresentada por outros analistas do mercado. O título do relatório assinado por Lore Serra e Jeronimo De Guzman, do Morgan Stanley  – “2T10: despesas financeiras drenam crescimento operacional” – elucida bem essa visão. O analista da Link Investimentos, Rafael Cintra, também destacou que, excluindo o parcelamento de impostos, o lucro líquido teria ficado em linha com suas projeções.

Ebitda
Outro indicador que decepcionou boa parte dos analistas foi o Ebitda. Para Serra e De Guzman, o fato do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações ter ficado 5% abaixo de suas estimativas reflete, principalmente, o crescimento pouco abaixo do esperado de suas margens. “A margem Ebitda sentiu impacto no segmento alimentício de 50 pontos-base na comparação anual, em função das maiores vendas da Assai”, disse a dupla do Morgan Stanley.

Continua depois da publicidade

Somado ao fato, Cintra destacou o aumentou em 12,6% nas despesas operacionais do grupo durante o período, que ocorreu por conta da abertura de novas lojas e dos maiores gastos com propaganda, marketing e TI (tecnologia da informação). “Como consequência da queda na margem bruta e dessa estabilidade nas despesas, a margem Ebitda recuou 0,5 ponto percentual”, conclui o analista da Link.

Recomendações distintas
Embora tenham concordado em diversos aspectos do resultado trimestral da empresa, os analistas apresentaram conclusões um tanto divergentes. Para Juliana, da Ativa, o papel ainda não reflete os benefícios do novo acordo com a Casas Bahia, o que faz a analista manter sua recomendação de compra, com preço-alvo estimado para junho de 2011 de R$ 85,57, indicando um upside de 34% em relação ao fechamento anterior.

Contudo, os outros analistas não demonstram tanto otimismo em relação à empresa. Cintra acredita que, embora os resultados apresentados confirmem que o processo união com a Ponto Frio esteja caminhando bem, a ausência de informações financeiras sobre a Casas Bahia faz com que o analista da Link mantenha por ora a sugestão “market perform” (performance em linha com a média do mercado) para as ações.

Continua depois da publicidade

Por fim, a dupla de analistas do Morgan Stanley atribuiu a recomendação “equal-weight”, ou seja, ela espera que o retorno esperado das ações do Pão de Açúcar fique em linha com o principal benchmark do País em um período entre 12 e 18 meses. “A questão chave é o capital necessário para financiar a estratégia de crescimento multi-dimensional do Grupo Pão de Açúcar”, alegam Serra e De Guzman.

Reação dos mercados
Embora as opiniões dos analistas não demonstrem tanta uniformidade, a reação dos mercados aos resultados da empresa foi predominantemente negativa. Nesta tarde, por volta de 16h15 (horário de Brasília), os papéis PNA do Pão de Açúcar registram queda de 5,17%.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers