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SÃO PAULO – O dólar comercial inverteu a trajetória da abertura e opera em alta na tarde desta segunda-feira (19), refletindo um clima mais instável nos negócios desta sessão. Há pouco, a moeda norte-americana era cotada a R$ 1,787 na venda, com valorização de 0,28%.
Ao contrário do que era visto pela manhã, as declarações do primeiro ministro chinês Wen Jiabao já não tem mais efeito tão tranquilizante, frente à tensão trazida pela tradicional temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos.
Referências
Wen Jiabao afirmou que a economia chinesa está se desenvolvendo dentro do planejado, fala que levou alguns analistas e investidores a afastarem a possibilidade da implementação de novas medidas restritivas na economia do país no médio prazo.
A confiança das construtoras dos EUA marcou em julho seu menor patamar desde abril de 2009, minando o bom humor que predominava em Wall Street pela manhã, sustentado pelos resultados da Halliburton e Hasbro, que vieram acima do esperado. O desempenho da Delta Airlines, por sua vez, mostrou-se pior que as expectativas. Para depois do pregão, são aguardados os números da IBM e Texas Instruments.
Cena doméstica
Contrastando com a agenda norte-americana, que não conta com a divulgação de indicadores nesta sessão, no cenário brasileiro destaca-se a divulgação da balança comercial referente à terceira semana de julho. No período, foi contabilizado um saldo positivo de US$ 391 milhões.
O Banco Central divulgou o Relatório Focus, revelando que o mercado manteve suas projeções para a Selic inalteradas na semana em que o Copom (Comitê de Política Monetária) decidirá os rumos da política monetária nacional. A expectativa é que a taxa básica de juro seja elevada dos atuais 10,25% ao ano para 11% ao ano. A decisão será anunciada na noite de quarta-feira.
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Cabe notar que as estimativas para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano permaneceram em 7,20%, enquanto as previsões para os principais índices de inflação da economia brasileira recuaram.
Dólar futuro na BM&F também opera em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em agosto está sendo cotado a R$ 1.791, alta de 0,25% em relação ao fechamento de R$ 1.786 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em setembro, por sua vez, opera em alta de 0,33%, atingindo R$ 1.803 frente a R$ 1.797 do fechamento de sexta-feira.
Análise
Em relatório, Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora da câmbio, revela sua percepção de que o viés de alta do preço da moeda americana tem por trás o fato de os bancos estarem “soberbamente vendidos” no mercado à vista, enquanto os investidores estrangeiros estão também com elevadas posições vendidas no mercado futuro, “num ambiente em que a tendência de acentuar-se o fluxo negativo cambial está presente, promovendo como consequência queda acentuada da oferta e da liquidez”.
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“Isto vem determinando que o preço da moeda americana venha recuperando preço gradualmente, com discreta volatilidade, pois em perspectiva não se vê melhora de oferta nem no mercado à vista, já que os exportadores ao preço atual preferem manter seus dólares no exterior, e a perspectiva de eventual ingresso de recursos oriundos da colocação de ações da Petro no exterior só ocorrerá em setembro, se ocorrer e a empresa não resolver deixá-los no exterior, nem no mercado futuro”.
Na aposta de que as perspectivas de fluxo cambial para o Brasil tendem a ficar cada vez mais desfavoráveis até o final do ano, Nehme sinaliza que o dólar pode seguir para um valor ao redor de R$ 1,95.