Publicidade
SÃO PAULO – Mantendo firme seu rali, o dólar comercial fechou nesta quinta-feira (20) em alta pela sexta sessão consecutiva. Com valorização de 1,25%, a moeda terminou cotada na venda a R$ 1,861, sendo este o maior patamar desde 8 de fevereiro deste ano, quando fechou valendo R$ 1,874. Vale mencionar que, durante o intraday, ela chegou a atingir sua maior cotação do ano, ao operar bem próxima de R$ 1,90.
Mais uma vez, a trajetória do dólar ganhou forças no clima de apreensão visto nos mercados. Indicadores negativos nos EUA e no Japão, somados à incerteza acerca da economia europeia, resultaram num forte sentimento de aversão ao risco, o que acaba favorecendo a moeda norte-americana, tendo em vista suas características defensivas em momentos de instabilidade econômica.
Por aqui, o Banco Central realizou mais um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista. A operação ocorreu entre as 15h36 e as 15h46 (horário de Brasília), tendo uma taxa de corte aceita em R$ 1,8588. Ainda no front doméstico, o Ministério do Planejamento elevou suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2010, sendo esperado agora um crescimento de 5,5% – a previsão anterior era de 5,2%.
Apreensão internacional
Na Europa, o pregão foi mais um de intenso nervosismo. Manifestações contra as medidas para redução da dívida pública grega e a perspectiva de que a França adote medidas semelhantes de austeridade colocam em cheque a estabilidade da Zona do Euro.
Na agenda de indicadores, mais preocupações. No Japão, o PIB cresceu 4,9% no primeiro trimestre, aquém dos 5,5% projetados pelos analistas. Nos EUA, o número de novos pedidos de auxílio desemprego da última semana e o Leading Indicators – compilação dos principais indicadores da economia local – de abril vieram piores que o esperado, ofuscando o bom nível de atividade industrial da região da Filadélfia em maio.
Real será a moeda mais prejudicada com a crise, diz banco
Não bastassem as referências desta quinta-feira, relatório feito pelo Société Générale aponta que o real, juntamente com o peso mexicano, deverá ser a moeda mais impactada pela crise fiscal deflagrada na Europa. Segundo o time de análise do banco francês, o Brasil é o país da América Latina com maior índice de exportações com destino ao continente europeu.
Continua depois da publicidade
Além disso, o País também é um dos principais alvos de investimentos estrangeiros, tendência esta que deverá perder forças por conta do cenário instável visto lá fora, comentaram os analistas Aneta Markowska, Alejandro Cuadrado e Glenn Maguire.
Dólar a R$ 1,861
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8590 na compra e R$ 1,8610 na venda, forte alta de 1,25% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 7,08% em maio, frente à baixa de 2,41% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 6,88%.
Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho encerrou o dia cotado a R$ 1,867, forte alta em relação ao fechamento de R$ 1,833 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, fechou em forte alta, atingindo R$ 1,880 frente à R$ 1,842 do fechamento de ontem.
Continua depois da publicidade
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,8660000.
FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,59 para julho de 2010, 0,14 ponto percentual acima do que foi registrado na sessão anterior.