Dólar mantém alta, com predomínio da aversão ao risco no front externo

Crise europeia preocupa mercado, com temores sobre o contágio da crise fiscal a outros países, como Espanha e Portugal

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SÃO PAULO – O dólar comercial inicia a tarde desta quarta-feira (5) mantendo a trajetória de alta vista na abertura dos negócios. Impactada diretamente pela maior aversão ao risco no cenário internacional, em decorrência de temores quanto ao agravamento da crise europeia, a moeda opera cotada a R$ 1,784 na venda, em alta de 1,31% ante o fechamento da véspera.

A despeito da alta do Ibovespa, que consegue se descolar das bolsas internacionais e dar maior ênfase a aspectos domésticos, o clima no cenário internacional é de expressiva preocupação com as contas públicas europeias. A agência de classificação de risco Moody’s colocou o rating soberano de Portugal em revisão para uma possível redução nos próximos três meses, trazendo à tona temores de que outros países também sigam a trajetória grega e caminhem para um colapso fiscal em um futuro próximo.

Em cenário incerto como este, o dólar ganha força pela maior demanda, já que é visto como uma aplicação de menor risco. A saída de capital estrangeiro de mercados tidos como mais arriscados – como é o caso do Brasil – também favorece a valorização do dólar.

A alta da moeda norte-americana também se dá frente às principais divisas de referência do globo.

Divergências
Na agenda norte-americana, divergências entre os indicadores com divulgação programada para esta sessão contribuíram ainda mais para o nervosismo instaurado nos mercados. De um lado, o ADP Employment surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 32 mil novos postos de trabalho nos EUA em abril, número melhor que as 30 mil vagas esperadas por analistas.

Do outro, o ISM Index, que mede o nível de atividade do setor de serviços no país ficou estável em 54,4 pontos entre março e abril, resultado inferior às projeções de analistas, que estavam em torno de 56,1 pontos.

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Fluxo Cambial
Há pouco, o Banco Central do Brasil divulgou os dados sobre o fluxo cambial acumulado em abril. No mês, foi registrado superávit de US$ 2,248 bilhões. Por sua vez, o fluxo comercial apresentou um saldo deficitário de US$ 639 milhões, enquanto o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 2,887 bilhões.

Dólar futuro na BM&F também opera em alta 
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho está sendo cotado a R$ 1.796, forte alta de 1,18% em relação ao fechamento de R$ 1.775 da última terça-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, opera em forte alta de 1,32%, atingindo R$ 1.807 frente a R$ 1.784 do fechamento de terça-feira.