Dólar comercial fecha com forte queda e renova mínima desde o início de janeiro

No entanto, intervenção dupla do BaCen no câmbio impediu que a desvalorização fosse ainda maior; indicadores e Selic em pauta

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SÃO PAULO – Pressionado pelo clima positivo visto nos mercados, o dólar comercial fechou esta quinta-feira (29) com forte queda de 1,09%, sendo cotado na venda a R$ 1,732 – menor cotação desde 8 de janeiro deste ano, quando a moeda encerrou os negócios valendo R$ 1,73.

Embalados por indicadores e resultados favoráveis, os investidores demonstraram maior apetite por risco nesta sessão, fazendo com que investimentos com caráter mais conservador – como o dólar – tivessem uma demanda reduzida. Alta da Selic anunciada na véspera e dupla intervenção do BaCen no câmbio também tiveram repercussão nos negócios.

Dupla intervenção do BaCen
Vendo a tendência declinante da divisa norte-americana se consolidar logo no início do dia, o Banco Central do Brasil realizou um leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista logo de manhã, entre as 11h38 e as 11h48 (horário de Brasília), tendo uma taxa de corte aceita em R$ 1,7328.

Contudo, o movimento negativo ganhou forças durante a tarde, levando a moeda a alcançar a marca de R$ 1,725 – mínima registrada no intraday. Essa queda mais abrupta fez a autoridade monetária interferir no câmbio pela segunda vez nesta sessão, realizando uma nova compra de dólares entre as 14h57 e as 15h07, com uma taxa de corte de R$ 1,7309. A partir daí, a depreciação da moeda foi amenizada.

Selic avança, compra de dólares também
Além disso, o Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, confirmou nesta tarde que o governo deverá acelerar a compra de dólares no mercado, podendo chegar a dobrar o montante atualmente captado pelo BC. De acordo com Augustin, a medida visa combater a pressão que o aumento da taxa de juro brasileira, anunciada na véspera, poderá exercer no câmbio.

Anunciado na noite anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu os mercados ao anunciar uma alta de 75 pontos-base na taxa básica de juro do País, levando-a para 9,5% ao ano. A elevação da Selic denota preocupações da autoridade monetária brasileira com pressões inflacionárias e o superaquecimento da economia, disse o comitê em seu comunicado.

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Indicadores
Ofuscando os temores envolvendo a situação fiscal das economias europeias, a agenda econômica do continente trouxe dados positivos, como o indicador de confiança do consumidor e do empresariado na Zona do Euro, que atingiu o maior nível em dois anos, avançando para 100,6 pontos.

Já nos Estados Unidos, apesar do Initial Claims ter mostrado um um número de pedidos de auxílio desemprego um pouco acima do esperado na semana passada, os bons resultados corporativos divulgados no país ajudaram a elevar o humor dos mercados, com os números de Visa e Procter & Gamble superando as estimativas.

Dólar a R$ 1,732
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,7300 na compra e R$ 1,7320 na venda, forte baixa de 1,09% em relação ao fechamento anterior.

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Com esta queda, o dólar acumula desvalorização de 2,75% em abril, frente à baixa de 1,55% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 0,53%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em queda
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio  encerrou o dia cotado a R$ 1.734, forte baixa em relação ao fechamento de R$ 1.752 da última quarta-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, fechou em forte baixa, atingindo R$ 1.744 frente à R$ 1.762 do fechamento de ontem.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,7302000.

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FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,10% para junho de 2010, 0,17 ponto abaixo do que foi visto no último fechamento.