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SÃO PAULO – Com a iminência da temporada de resultados brasileira, a equipe de análise da Ativa Corretora revelou suas expectativas para o período, destacando os setores mais expostos às commodities.
“Ao contrário do que aconteceu no quarto trimestre do ano passado, acreditamos que nesse primeiro trimestre haverá uma contribuição não só dos setores ligados ao mercado interno, mas também das empresas ligadas a commodities”, afirma a corretora. No último trimestre de 2009, de acordo com a análise da Ativa, 9 dos 26 setores avaliados mostraram melhores margens operacionais, com forte concentração no mercado doméstico.
Recuperação
No último trimestre de 2009, o Brasil assistiu o maior percentual de recuperação operacional desde o final de 2006, numa base de comparação anual, destaca a equipe encabeçada por Arthur Carvalho. O ambiente macroeconômico doméstico, atrelado a uma base bastante fraca, proporcionou tal desempenho, explicam os analistas.
A força do mercado interno, que impulsionou a economia durante o ano passado, é destacada pelo research da corretora, com aquecimento do mercado de trabalho, expansão da oferta pública de crédito, isenções fiscais e a manutenção da taxa de juros em níveis historicamente baixos. “Esta combinação proporcionou um crescimento da massa salarial, alavancada por programas do governo, que por fim impulsionou os resultados consolidados do varejo”.
“Alguns setores entram mais tarde e consequentemente demoram mais para reagir ao processo de recuperação”, explica a corretora. É o caso da Vale (VALE3, VALE5), por exemplo, que teve um desempenho divergente do da Petrobras (PETR3, PETR4) nos últimos balanços do ano passado. Enquanto a estatal apresentou forte melhoria de margens operacionais, a mineradora ainda mostrou enfraquecimento, fato que deve ser revertido neste início do ano. “Sob qualquer aspecto a Vale deverá apresentar resultados melhores no primeiro trimestre de 2010”.
Continuação
Segundo a corretora, “o comportamento dos indicadores antecedentes e a sinalização das empresas mostram que estamos em amplo processo de aceleração de atividade econômica e dos preços em geral também”, fato que deverá ser confirmado pelos primeiros balanços deste ano. Dados de produção de automóveis, a expedição de papelão ondulado e o fluxo de veículos nas estradas pedagiadas respaldam esse otimismo, ressalta a Ativa.
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Desta forma, “acreditamos que haverá um aumento significativo do número de setores mostrando recuperação”, dada a base de comparação mais fraca em 2009, com destaque para as empresas ligadas a commodities, basicamente porque foram as mais prejudicadas no primeiro trimestre do último ano e devido à forte recuperação nas cotações dos produtos nos últimos meses.
Além disso, a corretora destaca a recuperação da demanda externa, que impulsiona as boas perspectivas da Ativa. A combinação da recuperação da demanda com o cenário macroeconômico positivo leva a equipe da corretora a projetar uma expansão de 2,1% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre de 2010.
Confira as projeções:
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| Setor | Destaque | Projeção |
| Tecnologia | Totvs | Apesar de sazonalmente fraco, a Ativa espera um melhor desempenho no trimestre, muito em função do potencial de crescimento do País e do ambiente macroeconômico favorável |
| Alimentos | Minerva | Os sinais de melhora deverão paulatinamente ganhar consistência nestes primeiros três meses do ano, com o mercado doméstico se mantendo como principal impulsionador de vendas e ganhos de sinergia |
| Construção Civil |
MRV e Brookfield |
A tendência é que se observe a manutenção do crescimento dos principais indicadores do setor: lançamentos, velocidade de vendas e receita apropriada. A pressão em custos começará a ser sentida nesse início de ano, mas ainda não deve impactar as margens |
| Consumo | Natura | Com a conjuntura macroeconômica ajudando o desempenho do setor, as vendas devem continuar a apresentar aceleração, em especial no segmento de cosméticos e higiene pessoal |
| Varejo | Lojas Renner | Disponibilidade de crédito aliado a um mercado de trabalho e renda em expansão justifica dados de crescimento das vendas do setor em aceleração, com destaque para as Lojas Renner, que se beneficia da base de comparação mais fraca |
| Shopping Center | BR Malls | Também com base de comparação fraca, os shoppings devem reverter o fraco desempenho do trimestre anterior. Aumento nas vendas de varejo, baixo índice de vacância e aumento do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) sustentam o otimismo da corretora |
| Autopeças | Randon | Os diversos incentivos do governo, como a extensão do prazo de redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o crédito para aquisição de caminhões por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), devem manter o setor aquecido |
| Bens de Capital | Romi | O elevado nível de utilização da capacidade produtiva nacional, o aumento dos desembolsos do BNDES e o nível crescente da confiança na indústria apontam para uma continuação dos investimentos em bens de capital, refletindo positivamente na carteira de pedidos das empresas |
| Mineração | Vale | Sem problemas logísticos, volume de vendas crescente e aumento do preço do minério de ferro no mercado spot, a Vale deve apresentar bom resultado neste início de 2010, com exceção do segmento de níquel, que deve continuar fraco, aponta a corretora |
| Siderurgia | Usiminas | A retomada do ritmo de produção e a melhoria de preço do aço com a retirada dos descontos contribuirão para a recuperação do desempenho operacional do setor, afirmam os analistas |
| Papel e Celulose | Fibria e Klabin |
O cenário de aumento de demanda e redução da oferta por diversos fatores está bastante favorável aos produtores de celulose, que com o início do repasse de preço em papel, ganham ainda mais força |
| Petróleo | Petrobras | Além da contribuição da alta das cotações do óleo bruto e derivados no mercado internacional, a Petrobras também deve registrar efeitos positivos por conta do aumento do volume exportado de petróleo |
| Bancos | Itaú Unibanco | A expectativa de crescimento significativo na carteira de crédito, atrelada à uma redução da inadimplência, deve impulsionar a rentabilidade do setor, e motiva otimismo entre os analistas |
| Serviços Financeiros | Cielo | O movimento de substituição do uso dos cartões em detrimento do cheque e dinheiro permite que o crescimento das receitas da indústria de cartões se mantenha elevado, o que, combinado com controle de custos, deve manter crescimento da rentabilidade operacional |