Setor de educação deve retomar processo de consolidação em 2010

Segmento sentiu os impactos da crise financeira em 2009; contudo, nova onda de aquisições deve ocorrer no ano que vem

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SÃO PAULO – Ao longo de 2009, as empresas do setor de educação sentiram os impactos da crise e, por conta disso, o processo de consolidação iniciado em 2008 perdeu força este ano. Contudo, em meio ao cenário de recuperação da economia brasileira, a expectativa é de que as aquisições voltem a ocorrer com mais frequência em 2010. 

Outros pontos também merecem destaque para o próximo ano, tais como as expectativas em torno do EAD (ensino a distância) e o aumento na demanda por cursos profissionalizantes e de pós-graduação. Contudo, o combustível para o setor em 2010 deverá ser mesmo a retomada do processo de consolidação, afirmam os analistas da Fator. “O crescimento (orgânico e aquisições) deve ser mais significativo que em 2009”, afirmam.

A Bradesco Corretora segue o mesmo caminho. De acordo com sua avaliação, “o setor de educação no Brasil é bastante promissor e oferece maiores oportunidades de crescimento para as empresas bem posicionadas e capitalizadas”, principalmente no segmento de educação básica, onde “devido à elevada penetração e ao baixo nível de fragmentação, o crescimento permanece focado no aumento das vendas de sistemas educacionais”. 

Colocando uma ressalva no sentimento de otimismo dos mercados, os analistas da Itaú Corretora acreditam que, apesar dos recentes avanços já registrados na segunda metade de 2009, “um potencial efeito defasado no setor de educação, entretanto, pode adiar a recuperação das aquisições para o segundo semestre de 2010”.

2009: crise freia consolidação; SEB se destaca
“Enquanto em 2008 foram anunciadas 35 aquisições, nas quais foram empregados R$ 656,3 milhões e adquiridos 147,9 mil alunos, em 2009 foram apenas quatro aquisições, todas elas feitas pelo SEB (SEBB11), nas quais foram gastos R$ 47,7 milhões e adquiridos 48,5 mil alunos”, destacam os analistas da Fator Corretora. Esse número, ainda por cima, foi alcançado graças à compra do Pueri Domus, cuja transação movimentou R$ 41,5 milhões e correspondeu a 48,1 mil novos alunos.

De acordo com o time de análise da Fator, o arrefecimento nas compras em 2009 refletiu a maior preocupação das entidades de ensino em manter um caixa mais sólido e esperar por algumas “barganhas” no setor. O resultado disso ficou nítido nos balanços trimestrais divulgados pelas instituições, que acusaram um ritmo menor de crescimento das receitas.

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Contudo, a tendência permitiu que essas mesmas empresas registrassem ganhos de eficiência em 2009, principalmente por finalizar as incorporações realizadas no ano anterior. “Enquanto as instituições menores precisaram lidar com a crise, os grandes grupos aproveitaram para absorver as várias aquisições feitas no ano anterior”, afirmam a Fator, concluindo que, nessa crise, as menores saíram perdendo.

No entanto, essa melhora nas margens foi limitada por outros fatores ligados à crise financeira. De acordo com a corretora, o menor volume de novos alunos, associado ao aumento nas despesas – com o crescimento na inadimplência impulsionando o PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) – ajudou a pressionar as margens das instituições de ensino.

2010: Kroton deve puxar nova onda de aquisições
Apesar dos impactos negativos da crise em 2009, os sinais cada vez mais evidentes de recuperação da economia trilham o caminho para a retomada da consolidação do setor educacional brasileiro. Porém, se neste ano quem se destacou nesse quesito foi o SEB, os analistas esperam que em 2010 seja a vez da Kroton (KROT11) se destacar no noticiário corporativo.

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Tal aposta ganha força devido aos eventos recentes envolvendo a companhia. No final de setembro, a Kroton concluiu o processo de aumento de capital, passando a ter um caixa de R$ 429 milhões, montante que possivelmente deverá ser destinado para aquisições, afirmam os especialistas da Fator.

Essa evidência ganha ainda mais força com a mudança realizada na sua estrutura hierárquica. No final de outubro, a empresa anunciou seu novo CEO (Chief Executive Officer), Luiz Kaufmann. Segundo a Itaú Corretora, Kaufmann tem credenciais positivas em processos de fusões e aquisições. O até então CEO, Walter Braga, passou a atuar como consultor estratégico da empresa.

Contudo, outras empresas também devem ter destaque
Diferentemente de 2009, quando o SEB praticamente atuou sozinho no mercado de aquisições do setor de educação, a Kroton não deve figurar como única empresa atuante em 2010. Segundo a Fator, o próprio SEB deverá adotar uma postura mais agressiva no próximo ano, com a estratégia de montar escolas próprias de educação básica nas principais capitais para impulsionar seus outros segmentos no local.

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Já a Estácio (ESTC3) anunciou em sua teleconferência de resultados do terceiro trimestre que mapeou potenciais alvos de aquisição tanto em seu setor de atuação quanto em novos mercados. No entanto, os analistas da Fator não se mostram tão otimistas com essa tendência.

“A empresa está capitalizada e sua Central de Serviços Compartilhados tem equipe destinada à integração de unidades; contudo, o foco em 2010 deve ser mais em redução de ineficiências que em crescimento”, conclui a equipe de análise da corretora.

EAD, cursos profissionalizantes e outros drivers para 2010
Apesar do tema aquisição ser o grande centro das atenções no setor educacional, outros pontos, como o ensino a distância, cursos profissionalizantes e pós-graduação, não devem ser desprezados. “Dados do Censo Escolar 2008 e do Censo da Educação Superior de 2007 mostram que esses segmentos são promissores, mas o crescimento foi postergado por causa do ambiente adverso”, diz a Fator Corretora.

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Dentre esses segmentos, tanto o EAD quanto os cursos profissionalizantes apresentam vantagem pelo fato dos alunos normalmente serem mais velhos – ou seja, não são recém-formados – e, por isso, a expansão nesse nicho independe do aumento da penetração e da qualidade da educação básica, concluem os analistas da Fator.

Dentro deste universo de atuação, quem pode sair ganhando é o SEB. De acordo com a corretora, a conversão da sua filiada, a UNICOC, em centro universitário, permitirá à companhia a possibilidade de credenciamento de 64 pólos, aproveitando esse segmento de mercado que encontra-se em constante evolução.

Corretoras apostam na Kroton
Tendo em vista o cenário esperado para 2010, a Fator posiciona as ações da Kroton como sua principal aposta no setor. De acordo com a corretora, a substituição do CEO da empresa e o aumento de capital realizado darão força e experiência para que ela possa puxar a nova onda de aquisições no segmento durante o próximo ano. O preço-alvo, de R$ 25,00, sugere um upside de 52,9% em relação ao fechamento desta quinta-feira (17).

A Bradesco Corretora segue a mesma linha de raciocínio da Fator. De acordo com sua análise, a Kroton possui maior potencial de valorização devido ao seu prospecto de crescimento orgânico e oportunidades de fusões e aquisições. Além disso, a companhia deve continuar melhorando sua performance no segmento de educação básica, “uma área menos volátil à ciclos econômicos”.

Vale destacar também que, conforme nos aproximamos do final de 2009, percebemos que os ativos da instituição de ensino foram os únicos a registrarem um desempenho pior que o do Ibovespa. Com base no fechamento da última quinta-feira (17), as units da companhia registram valorização de 51,9%, ao passo que o benchmark subiu 78,6%.

Outras instituições, como Estácio, Anhanguera Educacional (AEDU11) e SEB, acumulavam neste ano ganhos de 85,5%, 91,2% e 130,2%. Segundo os analistas do Bradesco, a Anhanguera possui um horizonte positivo apoiado nas últimas fusões e aquisições, além de também ter um bom prospecto de crescimento orgânico. No entanto, suas ações já estão precificadas a um valor justo.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers