Fosfertil: BofA Merrill Lynch reduz recomendação, mas eleva preço-alvo das ações

Potencial limitado e expectativas ruins para 2009 contribuíram para revisão; ações são negociadas com prêmio no mercado

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SÃO PAULO – Revisando suas premissas, o Bank of America Merrill Lynch rebaixou sua recomendação para as ações da Fosfertil (FFTL4), indo de “compra” para “neutra”. Apesar de revisar para baixo sua sugestão, o banco elevou o preço-alvo dos papéis da companhia de R$ 19,00 para R$ 20,00 – upside de 15% frente a cotação de fechamento desta terça-feira (25).

De acordo com a análise, o potencial de valorização limitado dos papéis da empresa contribuiu para a revisão da recomendação. Os analistas afirmam que, apesar do histórico de alta qualidade da Fosfertil, o cenário atual do setor limita a capacidade de ganhos no curto prazo.

Devido a essas perspectivas menos otimistas, as projeções do banco em torno dos resultados da fabricante de fertilizantes também foram revisadas para baixo. Destaque para o Ebitda (geração operacional de caixa) esperado no acumulado do ano, que sofreu um ajuste negativo de 60%, refletindo os fracos números do segundo trimestre e a expectativa de que os altos custos da empresa se mantenham durante o ano.

A equipe de análise de investimento aponta ainda que os múltiplos mostram-se com um prêmio em relação aos parâmetros históricos de negociação.

Vendas

Os novos dados de vendas de suas principais matérias-primas mostram uma aceleração na demanda doméstica, com o volume comercializado de fertilizantes registrando uma expansão de 34% na passagem de junho para julho. No mesmo mês, os preços do fosfato avançaram 10,6% em comparação ao mesmo período de 2008.

Outros pontos positivos, como a demanda de distribuidores relativamente estável e o agressivo programa de expansão de sua capacidade, cuja meta é duplicar sua produção de fosfato até 2014, também foram levantados pelos especialistas.

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Riscos na governança corporativa

No entanto, retomar a recomendação de compra não é uma possibilidade muito clara para o BofA Merrill Lynch, devido ao imbróglio judicial envolvendo a Fosfertil e sua controladora, a Fertifós, com a Mosaic. O processo, que se arrasta desde 2006 e envolve a participação da Mosaic no conselho das duas empresas, voltou a ser movido na última semana, reacendendo os riscos de governança corporativa.

Os problemas começaram quando a Mosaic perdeu seus dois assentos nos conselhos das companhias, que agora são ocupados pela Bunge. Devido a essa perda, a companhia entrou com recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para reaver essas posições. Ambas as empresas, assim como a Yara, detêm a maior participação acionária da Fertifós.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers