Publicidade
SÃO PAULO – Com a aproximação do início das conversações para a definição dos preços para o minério de ferro em 2007, analistas já começam a analisar as condições do mercado, para saber quem pode levar a melhor dessa vez.
Nos últimos anos, as mineradoras vêm obtendo êxito nas negociações junto às siderúrgicas e o reajuste acumulado nos preços da matéria-prima é de quase 150% desde 2004.
Concentração é trunfo das mineradoras
Sem dúvida, o grande trunfo das mineradoras é a elevada concentração da oferta. Para se ter uma idéia da dimensão desse poder, basta dizer que as três maiores fabricantes de minério de ferro do mundo – as australianas BHP Billiton e Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce – controlam cerca de 75% da produção da commodity.
Por outro lado, as três maiores siderúrgicas, segundo dados do IISI (Instituto Internacional de Ferro e Aço) de 2005, são responsáveis por pouco mais de 15% da produção global, e isso já considerando a fusão entre Arcelor e Mittal.
A lógica do poder de mercado
Tamanha desigualdade entre o número de agentes do lado da oferta e da demanda cria uma situação econômica chamada de poder de mercado.
Não é difícil imaginar que, com apenas três players controlando parcela considerável da produção, as mineradoras tem maior facilidade para exigir reajustes, já que a outra parte, as siderúrgicas, não tem a possibilidade de procurar um fornecedor alternativo.
Continua depois da publicidade
Outro agravante é que Vale, Rio Tinto e BHP Billiton possuem alguns projetos de exploração em conjunto, o que as torna empresas com relacionamento bastante próximo.
A resposta das siderúrgicas
Com o exercício do poder de mercado pelas mineradoras – em 2004, o minério de ferro subiu mais de 70% -, as siderúrgicas se movimentaram para tentar dar uma resposta.
Nesse sentido, em 2006, as coisas se encaminhavam de forma diferente, com a ascensão da China à liderança das negociações e os esforços de consolidação e de controle de produção realizados pelas siderúrgicas.
Continua depois da publicidade
A lentidão na tomada de decisão chinesa e a manutenção de crescimento acelerado da produção do país, porém, obrigou as siderúrgicas a aceitarem um novo reajuste, dessa vez de 19%. E o início da trajetória de queda dos preços da matéria-prima ficou para 2007.
E chegamos ao último trimestre
Assim chegamos ao último trimestre de 2006, quando devem ter início as primeiras sondagens para as negociações de 2007.
O cenário, no entanto, ainda parece favorável às mineradoras, fato evidenciado, de acordo com os analistas do Unibanco, pela queda dos preços do frete marítimo que abre espaço para a elevação dos preços do minério sem aumento do preço ao consumidor final.
Continua depois da publicidade
Outra boa notícia para as mineradoras diz respeito ao crescimento de 42,1% das importações de minério de ferro da China em agosto, sobre 2005. “Esta forte demanda por minério de ferro indica que para as negociações de preço para o minério em 2007, (…), devemos ter mais um aumento de preços de pelo menos 10%”, acreditam os analistas do banco de investimentos Banif.