O que quer cada um dos partidos no almoço do “centrão”?

Líderes do "blocão" têm encontro marcado para o início desta tarde. Embora nenhum anúncio seja esperado, reunião pode dar novas indicações dos caminhos de cada sigla
Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil
Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil

Publicidade

SÃO PAULO – O bloco de partidos que negocia em conjunto seu apoio na disputa presidencial, formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade, tem reunião marcada para o início da tarde desta quarta-feira, para tentar chegar mais perto de uma decisão.

Leia também: O improvável ganhador com a confusão jurídica que quase soltou Lula
Bolsonaro sob risco, Alckmin pressionado e Marina inflada por indecisos: 5 destaques da pesquisa XP/Ipespe
Bagunça na esquerda mantém probabilidade de vitória de candidato de centro

Embora nenhum anúncio seja esperado por ora, o encontro poderá dar novas indicações dos caminhos que cada sigla seguirá na corrida eleitoral. Se por um lado há incentivos para a aglutinação das forças, por outro, os interesses difusos podem atrapalhar em um arranjo.

Continua depois da publicidade

Além da discussão que já se tornou rotineira entre apoiar Geraldo Alckmin ou Ciro Gomes, o encontro do chamado “blocão” deverá contar com a participação da cúpula do PR. O partido tem caminhado de modo alheio ao grupo e é um dos poucos que flerta com a candidatura de Jair Bolsonaro.

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear

Ao adiar o anúncio de uma posição definitiva, o grupo usa a possibilidade de apoiar vários nomes para se manter em evidência e aumentar as exigências para o acerto. Estica-se a corda para ver o que acontece.

Neste sentido, convém relembrar alguns dos interesses em jogo sob a ótica de cada partido:

DEM – O partido tem divisões internas, mas o apoio a Geraldo Alckmin é uma das opções à mesa – talvez a mais coerente delas. Rodrigo Maia e ACM Neto têm dúvidas sobre a viabilidade da candidatura do tucano em eventual segundo turno e buscam alternativa – Ciro Gomes, a principal delas. A possibilidade de que o pedetista sofra com o crescimento do candidato do PT pode levar o grupo a fazer uma aposta mais conservadora. Mendonça Filho, Rodrigo Garcia e outros das bancadas no Congresso avaliam mais viável declarar apoio ao ex-governador de São Paulo. O DEM tem 43 deputados federais e 5 senadores em exercício.

PP – Aliado de Rodrigo Maia na condução das articulações, também tem apresentado dúvidas sobre a viabilidade de Alckmin – apesar de também não saber se com Ciro Gomes seria diferente. O partido também tem divisões internas, mas o presidente Ciro Nogueira tem facilidade para fazer prevalecer sua posição. A ala do partido do Nordeste, por questões de viabilidade eleitoral regional, tem resistência maior a apoiar o ex-governador tucano. O PP tem 49 deputados federais e 6 senadores em exercício.

Continua depois da publicidade

PRB – Dentro do grupo, o partido é o que deixou mais clara sua indisposição em apoiar Ciro Gomes e, no passado, já sinalizou que pode abandonar o bloco se esse for o caminho. O partido tem sido a maior voz em defesa de Geraldo Alckmin. Alvaro Dias foi cogitado, mas a constatação de que o restante do grupo não tratava a opção como viável levou ao abandono da ideia. Antes da reunião, a sigla ainda vai ser alvo da parte do grupo que defende apoio ao pedetista para ver se mudam de posição. O PRB tem 21 deputados federais e 2 senadores em exercício.

SD – Paulinho da Força, presidente do partido, é entusiasta da aliança com Ciro Gomes e tem sido voz nesse sentido dentro do grupo. Não teria dificuldade de aprovar esse caminho no partido. Ainda assim, mantém boas relações com Geraldo Alckmin e já deixou claro que essa pode ser uma opção se outros planos falharem. O SD tem 11 deputados federais em exercício.

PR – É o partido que mais opções deixou em aberto, mas ainda resiste a apoiar Ciro Gomes. Tem em Josué Alencar um vice cobiçado pelo grupo. Apesar de não negociar junto com o grupo, deve participar do almoço nesta quarta. Parte da bancada continua favorável a Jair Bolsonaro, mas a cúpula do partido – que tem o poder de decisão – ainda faz contas e também considera apoiar o PT ou Geraldo Alckmin. O PR tem 40 deputados federais e 4 senadores em exercício.

Continua depois da publicidade

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear