Queda do dólar reduz dívida mobiliária, mas composição ainda não é ideal

A dívida mobiliária federal fora do Banco Central referente ao mês de novembro deste ano atingiu R$ 627 bilhões, representando 50,4% do PIB. O recuo de 1,6% em relação ao mês anterior reflete os efeitos da valorização do real frente ao dólar, que fechou o mês em 6,59%, segundo informou o Banco Central. Além disso, […]

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A dívida mobiliária federal fora do Banco Central referente ao mês de novembro deste ano atingiu R$ 627 bilhões, representando 50,4% do PIB. O recuo de 1,6% em relação ao mês anterior reflete os efeitos da valorização do real frente ao dólar, que fechou o mês em 6,59%, segundo informou o Banco Central. Além disso, também contribuiu o saldo de resgates líquidos de R$ 2 bilhões no mês.

Emissões no mês se concentraram em pós-fixados

Ainda que no mês de novembro o saldo tivesse demonstrando maior resgate que emissão, o ponto principal é que os papéis emitidos são pós-fixados o que poderá ampliar o endividamento federal, dependendo do comportamento de tais indicadores. Em novembro, o BC informa que as LTNs registraram resgates líquidos de R$ 2,4 bilhões e as NBC-E somaram resgates de R$ 6,1 bilhões. Por outro lado, as emissões líquidas se concentraram em LFTs e atingiram R$ 1,9 bilhão e com as NTN-D em R$ 4,6 bilhões.

A participação da exposição cambial da dívida passou de 33,9% para 31,1% em novembro, reflexo da valorização do real frente ao dólar e do resgate líquidos de R$ 1,5 bilhão em títulos cambiais. Os títulos indexados à taxa Selic passaram de 58,8% para 50,3%, principalmente em razão da emissão líquida de LFTs. A participação de papéis prefixados reduziu-se de 8,3% para 8,2%, sobretudo pelos resgates de LTN.

Perfil de endividamento piora, por conta das condições adversas

As crises e a incertezas que predominaram ao longo deste ano de 2001 minaram as intenções do BC no início do ano de modificar a composição da dívida federal do Brasil, passando a ampliar gradativamente a participação de prefixados ao invés de títulos indexados à alguma variável econômica. Neste sentido, o BC havia projetado no início do ano que a parcela da dívida que corresponderia a prefixados passaria a representar 20% dos títulos emitidos. Contudo, ao invés de crescer dos 16% do início do ano, as condições adversas da economia mundial e brasileira impediram que as metas fossem atingidas.

Desta forma, o que se observa no resultado fiscal do governo em novembro é que, além da participação de papéis prefixados ter caído para a metade do que representava no início do ano, a parcela da dívida atrelada a indexadores voláteis terminou elevada. Com dívida atrelada aos juros e ao câmbio em predominância, os efeitos de incertezas podem se tornar ainda mais penosos, e se houverem novas pressões a dívida pública pode voltar a crescer. Para o próximo ano, o período ainda deve ser de incertezas, mas a redução do endividamento demandará maior atenção, para evitar a necessidade constante do governo de buscar financiamento com a atração de recursos externos.

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