Cavallo renuncia e saques continuam na Argentina, apesar do estado de sítio

A situação na Argentina voltou a se deteriorar nas últimas horas, com a forte crise econômica já começando a trazer distúrbios sociais mais intensos, levando o governo a decretar estado de sítio por 30 dias. Além disso, a decisão do Congresso argentino de retirar os “superpoderes” do Ministro Domingo Cavallo e de revogar o limite […]

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A situação na Argentina voltou a se deteriorar nas últimas horas, com a forte crise econômica já começando a trazer distúrbios sociais mais intensos, levando o governo a decretar estado de sítio por 30 dias. Além disso, a decisão do Congresso argentino de retirar os “superpoderes” do Ministro Domingo Cavallo e de revogar o limite de retirada de dinheiro dos bancos foi a gota dïágua que acabou levando o Ministro a anunciar sua renúncia na madrugada de hoje

Tensão social aumenta com saques a supermercados

Durante toda a quarta-feira foram registrados saques a supermercados em diversas regiões do país, resultando em dez mortos e pelo menos 108 feridos e 328 pessoas detidas. Apesar da decisão de alguns varejistas e do governo de distribuir alimentos gratuitamente, a violência se espalhou durante a tarde de ontem, atingindo principalmente a periferia de Buenos Aires.

Temendo uma escalada maior da violência, o governo no final da tarde decretou estado de sítio. Dentre as principais conseqüências para a população, o presidente pode ordenar a detenção de qualquer pessoa, restringem-se os direitos individuais, e as licenças de rádio e televisão podem ser suspensas caso transmitam mensagens que gerem mais intranqüilidade. No entanto, segundo informações do site do jornal argentino La Nacion, novos saques foram registrados nesta manhã de quinta-feira.

Cavallo renuncia e Presidente De la Rúa busca substituto

Apontado por muitos como o principal causador da recente deterioração do quadro argentino, em função da falta de flexibilidade na condução da política econômica, o ministro Domingo Cavallo entregou sua renúncia no início da madrugada ao Presidente De la Rúa, que aceitou. Além disso, todo o ministério argentino também colocou seus cargos à disposição.

A definição de um substituto não será uma tarefa fácil para De la Rúa, uma vez que muitos colocam em cheque também a permanência do próprio Presidente no poder após os eventos das últimas horas. Buscando soluções para a crise, o Presidente já anunciou que se reunirá com os governadores a partir das 10h00 desta quinta-feira. Analistas políticos apontam que aumenta a possibilidade de um governo de coalizão, incluindo representantes do Partido Justicialista, também conhecido como Peronista, no alto escalão do Executivo.

Aumenta risco-país

Os eventos na Argentina já influenciam a abertura dos mercados de dívida externa na Europa na manhã desta quinta-feira. Os títulos da dívida argentina registram nova queda, levando o risco-país a atingir 4.351 pontos, um aumento de 139 pontos em relação ao fechamento de 4.212 pontos desta quarta-feira. A Bolsa de Buenos Aires, por sua vez, ainda não abriu, após a forte alta de 7,62% registrada no pregão de ontem, como conseqüência da forte migração de recursos para a bolsa, vista por muitos como uma das alternativas mais seguras dentro do complicado quadro sócio-econômico da Argentina.

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