Inflação deve terminar o ano ainda maior com novos reajustes

As perspectivas para a inflação estão maiores para o final do ano com a alta dos preços registrada em outubro, tendo como principal vilão no mês a elevação dos preços dos alimentos. Isto pode ser notado pelo aumento da cesta básica no mês e pela influência do aumento dos preços da gasolina e do cigarro. […]

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As perspectivas para a inflação estão maiores para o final do ano com a alta dos preços registrada em outubro, tendo como principal vilão no mês a elevação dos preços dos alimentos. Isto pode ser notado pelo aumento da cesta básica no mês e pela influência do aumento dos preços da gasolina e do cigarro. Neste sentido, as projeções indicam que a inflação deva sofrer um reajuste de perspectivas para incorporar estes aumentos extraordinários, que também devem englobar as estimativas para um anunciado aumento dos preços da energia elétrica para os consumidores.

Alimentos disparam

A variação da cesta básica já acumula neste ano uma alta de 9,3%, tendo passado de R$ 141, registrado no início do ano para os atuais R$ 154. A principal pressão sobre os índices nacionais de inflação é o impacto dos preços dos alimentos com a alta de 7,99% registrada pelo arroz, de 13,05% da laranja e de 4,6% de aumento médio da carne bovina. O aumento nos preços da carne está relacionado à entressafra, ao mesmo tempo pode estar refletindo uma pressão adicional do câmbio, mesmo porque o acesso ao mercado de exportação desse produto tem aumentado. Quanto ao arroz e à laranja, as indicações são de que as commodities estão recuperando parte das perdas dos últimos anos, apesar de ser um comportamento anormal.

Cigarro e gasolina contribuem para maior inflação

O governo concedeu em outubro um reajuste aos preços da gasolina, seguindo o cronograma oficial inicialmente estipulado. Com um reajuste de cerca de 4,5% nos preços dos combustíveis para as refinarias, o preço da gasolina na bomba subiu cerca de 3,5%, o que gera pressão inflacionária para o grupo dos transportes e deve ainda contaminar em parte os índices do mês que vem.

O governo deve liberar um reajuste médio de 13% para os preços dos cigarros, o que deve ser refletido já no índice do próximo mês. Além desta elevação gerar um impacto já nas apurações de inflação da próxima semana, o resíduo do aumento dos preços do cigarro deve ser notado nas medições futuras.

Energia pode subir ainda em 2001

O governo estuda um novo aumento extraordinário da tarifa de energia elétrica para compensar as perdas das distribuidoras com o racionamento. A razão apontada é que o contrato de concessão de energia garante às distribuidoras um retorno mínimo. As expectativas são de que entre dezembro deste ano e janeiro de 2002 este reajuste possa ser aprovado.

O reajuste extraordinário deve ser concedido às distribuidoras do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste para compensar uma queda de pelo menos 20% no faturamento. As indicações são de que o aumento dos preços que reflete o racionamento deva ser amortizado aos poucos, mas de qualquer forma deve pesar sobre a inflação. Além disso, ainda continua valendo o reajuste anual de cada empresa.

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Perspectiva é de aumento da inflação

Para Heron do Carmo, coordenador da pesquisa de preços da Fipe, que elabora o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), a inflação de outubro deve ficar em 0,4%, o que é o dobro da previsão inicial de 0,2%. O mercado também espera que outras taxas de inflação fiquem maiores neste ano em relação às expectativas anteriores. Para o IGP-M, por exemplo, até o final do ano, as projeções subiram de 9,3% para 9,8%.

O aumento dos preços dos alimentos já apresenta seus efeitos no custo de vida do mês de outubro e não é esperado que cause ainda mais surpresas até o final do ano. Por outro lado, as pressões inflacionárias dos aumentos dos preços da gasolina e do cigarro ainda devem gerar resíduos para o próximo mês. Além disso, outro ponto de atenção é a já prevista alta sazonal do vestuário, provocada pela mudança de estação. Resultado de tudo isso: inflação maior que o esperado, causando o aumento do custo de vida dos brasileiros.

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