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O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem a manutenção da taxa Selic em seu atual patamar de 19,00% ao ano, sem a adoção de qualquer viés. Com esta decisão, os juros básicos da economia nacional se mantêm inalterado desde a última elevação em 18 de julho. A decisão do Banco Central acerca dos juros reflete a preocupação da autoridade monetária quanto ao crescimento econômico nacional, já que existem pressões inflacionárias na economia brasileira, gerada em especial pela elevação do dólar frente ao real.
Em nota oficial, o comitê indica que: o Copom concluiu que a Política Monetária continua adequada para assegurar a convergência da inflação às suas metas. A decisão veio de encontro ao consenso do mercado que havia sido ainda mais consolidado com declarações do presidente do Banco Central, Arminio Fraga, de que lhe parecia inviável sacrificar a economia e o crescimento neste ano, por conta de um leve ajuste das taxas de inflação.
A meta de inflação acordada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) era de 4% com liberdade de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo para 2001, sendo que o índice escolhido para o acompanhamento foi o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE. Contudo, até agosto este índice acumula no ano uma alta de 5,06%, o que já supera a meta de 4%.
Deste modo, no último relatório de mercado do BC, a pesquisa junto às instituições financeiras indica que a expectativa é de que o IPCA feche 2001 com uma variação positiva de 6,49%, o que supera a máxima acordada, mas não preocupa o governo. Mesmo porque, este ano ficou marcado por situações atípicas como o recente ataque terrorista nos EUA.
O BC brasileiro foi prudente em manter os juros e contrariar a tendência verificada para outras economias mundiais que tiveram um corte extraordinário de juros para ajustas a economia às novas projeções econômicas pós-atentados. Nos EUA, o FED reduziu os juros, e foi seguido por muitos bancos centrais internacionais como o da Europa, Canadá, Inglaterra e Japão. No Brasil as pressões econômicas ainda não criaram o ambiente necessário para a queda dos juros.
Neste ano, o Copom promoveu cinco aumentos dos juros, o que representou uma elevação de 3,75 pontos percentuais em relação à Selic de fevereiro, que era de 15,25% ao ano. Este nível de juros é o mais alto desde o inicio da tendência de queda dos juros iniciada em setembro de 1999, quando os juros ficaram em 19% ao ano e permaneceram neste patamar até o início do ano passado.