B2W sobe 25% e é maior alta da semana; 6 ações caem mais de 10%

Com noticiário agitado - incluindo suspensão de projetos e corte de rating -, OGX despenca 35,4% na semana e lidera com folga as maiores perdas do Ibovespa

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SÃO PAULO – Em uma semana bastante negativa para o Ibovespa, que recuou 4,73%, uma ação em especial conseguiu um desempenho atípico e disparou no período, a B2W (BTOW3). Após iniciar a semana com uma queda de 3,3%, os papéis da companhia de varejo eletrônico registraram dois dias de fortes altas em meio a um desencontro de informações. Na semana, os ativos da empresa avançaram 24,73%, passando de R$ 6,55 para R$ 8,17.

Na terça-feira, as ações da companhia subiram 6,64% enquanto no dia seguinte os papéis valorizaram 27,85%. Durante o pregão daquele dia, a empresa foi alvo de um impasse: operadores consultados pelo Portal InfoMoney argumentaram que a B2W estava em uma reunião com analistas de algumas corretoras. A assessoria de imprensa da companhia, no entanto, negou o fato.

No dia seguinte, as ações chegaram a esboçar mais uma alta, avançando 10,66% no intraday, mas inverteu durante a sessão e fechou com queda de 3,82%. Após as dúvidas sobre o que estaria impulsionando os ativos, um operador consultado pelo portal InfoMoney explicou que o movimento foi provocado pelo fechamento da posição de um grande investidor que possui as ações da B2W em aluguel. A estimativa era que este investidor fosse detentor de cerca de 70% das ações da empresa que estão disponíveis para tomar alugadas.

Um investidor pode deixar as ações para serem alugadas na CBLC (Central Brasileira de Liquidez e Custódia), ganhando assim uma remuneração paga por outro investidor que quer tomar esta ação emprestada. Os objetivos de cada um deles nesta operação são distintos: quem está emprestando a ação busca ganhar uma rentabilidade extra da taxa de aluguel de um ativo que ele não tem interesse em se desfazer – e por isso pode deixar para ser alugado; já o tomador da ação busca, na maioria das vezes, fazer operações apostando na queda desta ação. Para isso, ele tome o papel alugado para vendê-lo no mercado e, posteriormente, recomprá-lo a um preço menor, devolvendo ao locatário.

Por conta disso, qualquer movimento deste investidor para retirar destes papéis do banco de aluguel colabora para que aqueles que estão “alugados” com B2W fechem suas operações – ou seja, comprem as ações -, forçando um movimento conhecido no mercado como “short squeeze”, que ocorre quando há escassez de determinada ação no mercado para ser alugada, o que faz com que os investidores que estão posicionados vendidos no papel busquem fechar suas posições (ou seja, comprar essas ações), provocando uma alta no preço desses ativos.

Questionada sobre o movimento dos papéis durante esta semana, a B2W informou, em comunicado, que não tem existem fatos a serem declarados para justificar a alta recente das ações.

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Lideradas pela OGX, 6 ações caem mais de 10%
Com o desempenho negativo do benchmark, 6 papéis registraram desvalorização superior a 10% nesta semana, com destaque para a OGX Petróleo ( OGXP3), que liderou com folga as maiores quedas do índice ao recuar 35,44% no período, atingindo os R$ 0,51.

Desde o início da semana, o noticiário da companhia foi bastante agitado. Logo na segunda-feira, a empresa informou a suspensão de projetos no campo de Tubarão Azul, por inviabilidade econômica. A partir desse cenário, diversos bancos reduziram seus preços-alvo para as ações da OGX, com perspectiva de valores de até R$ 0,10 para os ativos. Além disso, agências de rating como S&P e Moody’s cortaram suas notas para a petrolífera.

Após três dias de fortes perdas, as ações da companhia registraram certa recuperação na quinta-feira (4), após o anúncio que a produção da OGX teve alta de 26,4% no mês de junho. Já nesta sessão, a OGX, atualizou seu formulário de referência e desistiu de fazer projeções de suas produções. O noticiário influenciou outras empresas do grupo, caso da LLX Logística (LLXL3), que viu seus ativos despencarem 15,15% na semana, cotados a R$ 0,84.

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Alta do dólar e aumento de concorrência derrubam ações da Gol
A Gol (GOLL4) foi outra companhia que teve uma semana bastante negativa. Um dos principais pontos que tem afetado a empresa nas últimas semanas foi a alta do dólar, que teve um forte rali desde o final de maio e atualmente está cotado a R$ 2,2595. Essa variação cambial prejudica a Gol, que vê seus custos avançando à medida que a moeda norte-americana sobe.

A empresa também teve de revisar sua meta de redução de oferta para não ter de mexer na meta, que é de 1% a 3% de margem operacional. Além disso, uma possível fusão entre Azul, TAP e JetBlue seria bastante negativa para a Gol, que veria sua competição aumentar. Na semana, os ativos da empresa recuaram 14,37%, cotadas a R$ 6,14.

Imobiliárias completam o time das maiores quedas
Vale destacar também o desempenho negativo das imobiliárias, como a PDG Realty (PDGR3) e Rossi (RSID3), que caíram 12,80% e 11,30% nesta semana, e são cotadas a R$ 1,84 e R$ 2,59, respectivamente. O movimento ocorre com a proximidade da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorre na próxima semana, onde é esperado um aumento de 0,5 ponto percentual na Selic, que deve subir para 8,5% ao ano.

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Veja as 6 ações do Ibovespa que caíram mais de 10% na semana:

Ação Desempenho na semana Cotação
OGX Petróleo ON -35,44% R$ 0,51
LLX Logística ON -15,15% R$ 0,84
Gol PN -14,37% R$ 6,14
PDG Realty ON -12,80% R$ 1,84
Rossi ON -11,30% R$ 2,59
Oi ON -10,68% R$ 3,93
Usiminas PNB -10,63% R$ 6,64

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.