Qual é a ação mais barata da Bovespa? Bilionário Luiz Barsi diz que é a Embratel

Negociada a R$ 0,01, ação da empresa de telefonia não tem liquidez e foi esquecida por fundos de investimento e grandes investidores

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(SÃO PAULO) – Um estudo divulgado nesta segunda-feira pela consultoria Economática deu uma boa dimensão do impacto da crise sobre os preços das ações brasileiras. De acordo com o levantamento, 25 das 65 empresas do Ibovespa são negociadas abaixo do valor patrimonial. Empresa que oferece o maior desconto entre todas as companhias incluídas no índice, a Eletrobras (ELET3, ELET6) é negociada pelo equivalente a 10,7% do seu patrimônio líquido. Seria então a Eletrobras a empresa mais barata da bolsa brasileira? A resposta é não, ao menos para Luiz Barsi, um dos maiores investidores da Bovespa (clique aqui e conheça Barsi). Na opinião dele, a ação mais barata da bolsa é a Embratel Participações (EBTP4).

A explicação de Barsi é muito simples. As ações ordinárias da empresa eram negociadas, na última segunda-feira, por R$ 9,11 por lote de mil enquanto as preferenciais valiam R$ 9,51 por lote de mil. Ou seja, cada papel da empresa valia menos de R$ 0,01 na bolsa. “Não tem papel mais barato que esse na bolsa. É difícil entender por que cada papel da Embratel vale R$ 0,01 enquanto a Vivo vale R$ 50?”, disse Barsi em entrevista ao InfoMoney.

Mesmo quando observados os múltiplos da empresa, o papel ainda parece negociado a um preço baixo – ainda que não tão baixo quanto seu valor nominal. Nos últimos quatro anos, a Embratel teve um lucro líquido médio de quase R$ 800 milhões ao ano (veja tabela abaixo). No primeiro trimestre de 2013, o ganho líquido foi de R$ 282 milhões.

Lucro líquido do Embratel (em milhões de R$)
*Fonte: ThomsonReuters
2012 796
2011 391
2010 723
2009 1.278
Média 797

Já o valor de mercado da Embratel é de R$ 11,1 bilhões – bem menos que o de concorrentes como Vivo e TIM (ver tabela abaixo). O múltiplo de preço/lucro da empresa seria, portanto, de 13,95, considerando o lucro líquido do ano passado. “É um múltiplo baixo para o setor de telecomunicações. Teles bem geridas podem valer 50 vezes o lucro nos EUA”, afirma Barsi.

Valor de mercados das teles (em bilhões de reais)
*Fonte: ThomsonReuters
Vivo 54,6
TIM 20,1
Embratel 11,1
Oi 6,8

O bilionário diz que enviou carta à Bovespa com a sugestão de que as ações da Embratel passassem a ser negociadas pelo valor unitário, uma vez que, hoje, pouquíssimos papéis são comprados e vendidos apenas em lotes de mil. O pedido, entretanto, não foi atendido, o que evitou um “constrangimento à Embratel”, nas palavras do bilionário.

Para Barsi, a principal explicação para o desconto da Embratel é a falta de liquidez dos papéis. Quando tentou fechar o capital da empresa na década passada, o controlador da Embratel, o mexicano Carlos Slim, passou a deter mais de 98% dos papéis. As ações que sobraram em circulação estão nas mãos de pouquíssimas pessoas, que raramente as negociam. A baixa liquidez impede que gestores de fundos e grandes investidores se interessem pelos papéis. “Quase ninguém vende as ações. Entre os poucos acionistas, só tem eu e mais dois ou três gatos pingados”, diz.

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O bilionário afirma que comprou as ações da Embratel há muitos anos. O que o motivou a fazer isso foi o fato de o mexicano Carlos Slim ter se tornado acionista controlador da empresa. “Slim é um dos maiores proprietários de empresas de telecomunicações. É um dos homens mais ricos do mundo. O investidor tem que se aproximar de alguma maneira de quem é um ganhador. Ele sendo um ganhador, as empresas que ele administra serão ganhadoras”, diz.

Barsi afirma, no entanto, que foi surpreendido pela decisão do bilionário mexicano de realizar, em 2006, uma oferta pública de aquisição (OPA) com o objetivo de recomprar todos os papéis em circulação da empresa – para, em seguida, fechar seu capital. Slim já havia feito a mesma coisa com empresas de capital aberto que havia adquirido no passado. Mas, quando comprou as ações da Embratel, Barsi sabia que o edital de privatização das teles brasileiras obrigava os controladores a mantê-las com ações negociadas em bolsa. “Eu sabia que a Telmex [empresa de Slim] tem o costume de fechar o capital das empresas que adquire, mas também sabia que ele não poderia fazer isso aqui.”

Slim lançou a OPA em 2006, oferecendo R$ 6,95 por lote de mil ações da Embratel. Barsi achou que o preço não era vantajoso e decidiu ficar com os papéis que possuía ao mesmo tempo em que lutava pelo cancelamento da operação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu anuência para que a OPA fosse adiante, apesar dos questionamentos de Barsi. Slim conseguiu recomprar quase a totalidade dos papéis e, em 2007, fechou o capital da Embratel nos Estados Unidos – a empresa era listada na Bolsa de Nova York. A Embratel só não conseguiu fechar o capital no Brasil porque Barsi entrou com uma queixa na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em que questionou a legalidade da operação.

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Com base no edital de privatização da empresa, vendida pelo governo brasileiro em 1998, a Aneel decidiu, em 2008, obrigar a Embratel a desistir do fechamento de capital da empresa. “Slim só não fechou o capital por minha causa. Fui o único a brigar por isso”, diz. “Se a Anatel tivesse negado meu pedido, eu teria ido em juízo. E um juiz não pode negar o que está escrito em um edital de privatização.”

Desde então, Slim pouco mexeu na estrutura da Embratel. A empresa é lucrativa e paga o dividendo mínimo obrigatório aos acionistas. Slim não fez nenhum esforço para recomprar os papéis que ainda não estão em seu poder. Somente em maio deste ano, a Embratel divulgou um fato relevante em que propões a simplificação da estrutura das empresas controladas por Slim no Brasil. A GB Empreendimento e Participações S/A é a empresa de Slim que controla a NET. A proposta de Slim é que a NET incorpore a GB a fim de simplificar a estrutura organizacional de seus investimentos, aproveitar sinergias e reduzir custos operacionais.

Barsi temia que essa reestruturação fosse perigosa porque poderia ser uma maneira de esvaziar a Embratel, transferindo seu patrimônio para outra empresa. No entanto, como a Embratel é a atual controladora da GB, ela passará, por meio dessa reestruturação, a ser controladora direta também da NET. Como a Embratel não saiu enfraquecida e como a incorporação trará benefícios e sinergias, Barsi acabou avaliando a operação como positiva.

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O bilionário admite que não há muitas saídas para tornar lucrativo seu investimento em Embratel, mas não pensa em jogar a toalha. Ele diz que não se importa em continuar um eterno detentor de papéis da Embratel, apesar da baixíssima liquidez. “O Slim deve ter ódio mortal de mim [por ter impedido o fechamento de capital]. Mas se ele não fizer nada, não tem problema. Só acho que quem perde é o mercado”, diz. Mas o que deve acontecer daqui pra frente? “O desfecho mais provável para a Embratel é que eles esperem eu morrer para que meus filhos vendam os papéis. Aí ele vai ficar com 100% na mão. Pode até não fechar o capital, mas vai poder fazer o que quiser.”

Procurada, a assessoria de imprensa da Embratel disse que não se manifestaria sobre a entrevista de Barsi.