Ibovespa perde forças após subir cerca de 1% com ata do Fomc

Índice, que chegou a subir 1,95%, diminui ganhos cerca de uma hora após comunicado; expectativa é pelo discurso de Bernanke, às 17h10

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SÃO PAULO – Após subir 1,95% no intraday, embalado pelo desempenho positivo das bolsas internacionais na véspera, o Ibovespa teve momentos de volatilidade na expectativa e com a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee), passando de alta entre 0,8% e 1,3% antes e depois da divulgação do comunicado. Contudo, o benchmark da bolsa passou a diminuir os ganhos e, às 16h00 (horário de Brasília), registrava alta de 0,46%, a 45.282 pontos. 

Na ata, metade do integrantes dos integrantes do Federal Reserve veem que o programa de flexibilização monetária deve terminar neste ano. Entretanto, a divisão continua, com alguns preferindo que o programa fosse encerrado o quanto antes, enquanto outros veem o programa de compras de títulos como necessário em 2014.

Contudo, apesar de aumentar o consenso com relação ao fim do programa de estímulos, os integrantes do Fomc querem mais garantias de que a recuperação do emprego está sólida antes de iniciar a desaceleração de compra dos ativos. A expectativa agora fica com o discurso de Bernanke, que acontecerá às 17h10, próximo do fechamento do mercado. Enquanto isso, no mercado de câmbio, o dólar disparou, com ganhos de 0,50%, a R$ 2,27. 

Muitas ações passaram a perder forças, com destaque para a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,59, +7,66%), que desacelera após chegar a subir 15,38% no intraday. No entanto, os papéis da petrolífera de Eike Batista ainda seguem em queda no mês. O noticiário referente ao Grupo EBX volta a ser agitado, indo desde fim de reestruturação da dívida de credor, investigação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) até renúncia de diretor. Além disso, possíveis negociações de dívidas deram vida à companhia, cuja ação salta mais de 40% em uma semana. 

Blue chips em alta; Oi e PDG recuam

As blue chips com forte participação na composição do índice diminuem os significativos ganhos nesta sessão com os dados norte-americanos positivos da véspera, mas seguem em alta. É o caso da Petrobras (PETR3,PETR4) e da Vale (VALE3, VALE5), que juntas respondem por quase 20% do índice. A petrolífera marca alta de 2,29% para as ordinárias e de 1,74% para as preferenciais, desvalorizando frente aos ganhos de mais de 3% registrados por volta das 15h. Já a mineradora vê seus ativos PNA subirem 0,77%, para R$ 26,38, enquanto os ON avançam 2,18%, para R$ 29,01, após subirem mais de 2% no intraday.

Quem mantêm os ganhos são as ações da Copel (CPLE6, R$ 29,66, +7,35%), com a notícia de que a Aneel anunciou o parcelamento do reajuste médio de 14,61% da companhia. Cerca de 9,55% do reajuste será retroativo a 24 de junho de 2013. Segundo a empresa, haverá também a inclusão de percentual remanescente reajustado pelo IGP-M.

Fechando a lista das maiores altas, aparecem a Gol (GOLL4, R$ 6,87, +6,35%), que estende os ganhos vistos desde segunda-feira, e a Sabesp (SBSP3, R$ 22,54, +4,98%), que busca amenizar a forte queda de suas ações nos últimos 3 meses em virtude do impasse sobre sua revisão tarifária.

No lado negativo, algumas ações aceleraram as perdas. As ações da Oi (OIBR3, R$ 3,80, -4,52%; OIBR4, R$ 3,44, -5,23%) seguem o movimento negativo de 2013 e estendem as perdas acumuladas no ano para mais de 50%; a companhia cancelou a oferta de debêntures no valor de R$ 800 milhões na última terça-feira. Outra que não vai bem nesta quarta e também em 2013 é a construtora PDG (PDGR3). Com queda de 5,03% nesta sessão, a companhia já perdeu 48,6% de valor de mercado no ano.

Novos estímulos na China?
Repercute também os dados surpreendentemente negativos da balança comercial de junho, trazendo mais um sinal de alerta para a atual situação econômica do gigante asiático – e aumentando a pressão sobre o governo para um possível afrouxamento monetário. A queda nas exportações foi a primeira desde janeiro de 2012.

As importações recuaram 0,7% por cento, ante expectativa de aumento de 8%, enquanto a China teve um superávit comercial de US$ 27,1 bilhões, informou a administração de alfândega, em linha com os US$ 27 bilhões esperados. Os dados de exportação de junho seguem a restrição ao uso de dados falsos que exageraram as exportações mais cedo neste ano, e podem agora refletir o cenário real, disseram autoridades da alfândega.

Com a má notícia aumentando as chances de estímulo na economia chinesa, as bolsas da China registraram alta de mais de 2% nesta quarta-feira.

Brasil: de Copom até FMI

Já no front doméstico, o principal evento do dia fica com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a nova taxa de juros brasileira, que será divulgada após o fechamento do pregão. O anúncio, no entanto, só deve trazer impacto nos mercados se fugir do consenso quase que unânime do mercado, que espera uma alta de 0,5 ponto percentual na Selic, levando-a para 8,5% ao ano.

Ainda por aqui, a agenda de indicadores trouxe dados do mercado de trabalho do setor industrial, que teve em maio a queda mais forte de empregos desde 2009. Vale mencionar que na véspera o FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou para baixo suas projeções para o crescimento do PIB de 2013, indo de 3% em 2013 para 2,5%. Para 2014, as projeções do Fundo foram reduzidas de 4% para 3,2%.

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.