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SÃO PAULO – Os minoritários da OGX Petróleo (OGXP3) se reuniram na manhã deste sábado (13) para traçar estratégias para tentar “devolver o valor dos ativos da empresa” e articular maneiras de participar ativamente dos rumos da petrolífeira.
O encontro, realizado em uma churrascaria da zona sul de São Paulo, reuniu 35 acionistas da companhia – cerca de 70 haviam confirmado presença anteriormente. Após duas horas e meia de reunião à porta fechada, Willian Magalhães, organizador do movimento dos minoritários e acionista da OGX desde o começo do ano, disse que entre os pontos centrais estão a proposta da instalação de um conselho fiscal com um representante dos investidores individuais e a indicação de um minoritário independente para o conselho de administração.
Com a renúncia na última quarta-feira dos dois últimos conselheiros independentes da OGX, Samir Zraick e Luiz do Amaral da França Pereira, solucionar a pendência do conselho de administração tornou-se a prioridade, disse Magalhães. Isso porque a empresa tem agora dois meses para se adequar às regras do Novo Mercado da BM&FBovespa, que estabelece um padrão de governança corporativa elevado e exige que a companhia tenha, no mínimo, cinco integrantes no conselho de administração, sendo ao menos um deles independente.
Segundo Magalhães, o movimento conseguiu apoio de fundos de investimentos, dando um peso a mais para as propostas dos minoritários, uma vez que para a instalação do conselho fiscal é necessário a adesão de acionistas que representem, no mínimo, 2% das ações da companhia, enquanto para eleger um membro para o conselho de administração é necessário 10% ou mais da mesma base de ações. De acordo com ele, com o apoio dos fundos, o movimento já está representado por 2% do total de ações da empresa. A AGE (Assembleia Geral Extraordinária) para tratar da eleição de novos conselheiros, entretanto, ainda não foi agendada pela companhia.
Movimento busca diálogo amigável
Ele ressaltou que toda a estratégia do movimento está ancorada na busca de um entendimento e diálogo de forma amigável com a companhia de Eike Batista e por isso não foram cogitadas medidas judiciais neste primeiro momento. O grupo que se reuniu nesta manhã era composto, na sua maioria, por investidores que detinham entre 50 mil e 150 mil papéis da OGX.
Segundo Magalhães, um das questões que pretende levantar com a empresa seria sobre a transparência nos comunicados sobre as projeções de produção dos poços, além de abordar sobre a viabilidade de Eike Batista exercer a “put” (opção de venda) de US$ 1 bilhão até 2014 para aliviar o caixa da empresa.
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O próximo passo, de acordo com ele, será elaborar uma ata da reunião do que foi discutido para ser enviada à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e BM&FBovespa. Os investidores planejam também pedir um encontro com representantes da CVM para que a autarquia possa ajudá-los a obter as informações e esclarecer dúvidas que eles têm no momento. “Somos acionistas e buscamos valor para nosso ativo, por isso entendemos que o caminho inicial não é de conforto”, disse.
Parem de alugar ações da OGX, pede acionista
No fim, Magalhães lembrou que há cerca de 51 mil investidores pessoa física na OGX e conclamou essas pessoas a se juntarem para obter mais representatividade nos pleitos, enquanto pediu para os acionistas que parem de disponibilizar o papel da empresa para aluguel, como uma tentiva de diminuir a pressão vendedora que existe atualmente na ação. “O pedido que fazemos hoje aos investidores é: parem de alugar ações da OGX”, disse Magalhães.
Este assunto, aliás, foi o que mais elevou os nervos dos acionistas após o término do encontro. Muitos deles lembraram que nos últimos anos as bolsas de países como Alemanha, Itália e França proibiram as operações de venda a descoberto de determinados ativos para inibir a pressão negativa nos preços destas ações nos momentos de maior desconfiança dos investidores em relação ao desenrolar da crise na Europa, e que o mesmo procedimento deveria ser adotado no Brasil. “Não é apenas a OGX que sofre com isso: Petrobras (PETR3, PETR4), Vale (VALE3, VALE5) e Eletrobras (ELET3, ELET6) também estão acumulando fortes perdas por conta da crise confiança que a economia brasileira está enfrentando”, disse um dos participantes do encontro.
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De acordo com dados atualizados no fechamento do pregão da última sexta-feira (13), 414,4 milhões de ações da OGX estão alugadas, enquanto o limite estabelecido pela BM&FBovespa para operar “vendido” no papel é de 595,7 milhões, ou 45% dos papéis em circulação no mercado.
O aluguel de ações faz parte de uma operação realizada por investidores que pretendem ficar “vendidos” em um ativo, ou seja, acreditam que o preço da ação vai cair. O investidor aluga determinada ação e, em seguida, vende o mesmo papel no mercado à vista. Após um prazo estabelecido, esse investidor – que é chamado de “tomador” do papel alugado – é obrigado a devolvê-lo ao dono, o “doador”, e pagar a remuneração (taxa do aluguel) fixada previamente.