Publicidade
SÃO PAULO – Em relatório divulgado nesta terça-feira, o UBS fez uma análise detalhada sobre a situação do grupo EBX, de Eike Batista, em meio à crise de credibilidade de grupo e de suas empresas. O banco ressalta que muitas ações das empresas do grupo estão negociadas perto ou até abaixo do valor de liquidação, em meio a forte queda dos ativos no ano.
Com as conversas sobre a venda de ativos, os papéis do grupo tiveram uma sessão de fortes ganhos. A MMX Mineração (MMXM3), que conta com o ativo supostamente mais atrativo – o porto Sudeste -, liderou as altas do Ibovespa nesta sessão ao subir 12,08%, aos R$ 1,67. Enquanto isso, a LLX Logística (LLXL3), dona do superporto do Açu, teve ganhos de 8,70% para R$ 1,00.
As duas companhias exclusivamente voltadas ao setor de petróleo também tiveram ganhos: a OGX Petróleo (OGXP3) subiu 1,89%, para R$ 0,54 – depois de chegar a subir 9% no intraday -, enquanto a OSX Brasil (OSXB3) teve ganhos de 10,74%, aos R$ 1,34. A CCX Carvão (CCXC3) terminou estável aos R$ 1,01 e a MPX Energia (MPXE3) caiu 0,72%, terminando a sessão cotada a R$ 6,90.
Relatório do UBS salienta interessados
No relatório, chamado “Is there anything left for EBX investors?” (Ou, ainda há algo para os investidores do grupo EBX?, em tradução livre), os analistas Lilyanna Yang, Victor Mizuki , Philip Finch e Andreas Bokkenheuser destacam que há várias empresas globais interessadas em ativos do grupo, de modo a ganhar acesso ou aumentar o crescimento no País.
Dentre elas, a Keppel Corp e a Sembcorp Marine poderiam ter interesse nos ativos da OSX. No entanto, apontam os analistas, o valuation teria que ser muito atrativo para atrair as duas empresas.
Além disso, a Glencore Strata estaria interessada nos ativos da LLX e da MMX. Por fim, a E.ON pode ter interesse pelos ativos da OGX em Parnaíba, para garantir um negócio integrado no segmento de gás no País. Os analistas destacam que grupos nacionais também estariam interessados nos ativos do grupo.
Continua depois da publicidade
Os analistas reforçam que o banco não objetiva discutir os padrões de governança e avaliar o que o empresário Eike Batista teria feito de errado e o que ficará para o empresário, mas enfim apurar a probabilidade de uma recuperação da cotação dos papéis do grupo EBX.
BES acredita que único ativo que tem valor é o porto da MMX
Enquanto isso, o Banco Espírito Santo acredita que o único ativo que realmente tem algum valor é o Porto Sudeste, que está sendo construído no estado do Rio de Janeiro, pertencente à MMX. A visão da analista Catarina Pedrosa, da corretora, é baseada no fato de que mais do que 50% do porto está construído, além de já possuir contratos de exportação assinado.
De acordo com ela grupos que investem em minério de ferro, mas que não tem o porto prôprio, estariam interessados para comprar o porto, como é o caso da Usiminas (USIM3; USIM5), Gerdau (GGBR4) e ArcelorMittal, evitando que o porto caia nas mãos da suíça Glencore Xstrata, com a qual a MMX já confirmou negociações à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Continua depois da publicidade
Para a analista, a Usiminas é a que teria o maior potencial para comprar o porto. Isso porque ela tem um contrato para exportar minério no porto. O acordo é válido por cinco anos, podendo ser renovável por mais cinco, e prevê exportação de 3 milhões de toneladas a 12 milhões de toneladas de minério por ano.
Caso seja confirmado, ainda é difícil dizer se a compra do porto será positiva para a Usiminas, dependendo do preço do negócio, mas a analista enxerga que o ativo seja atrativo. O Porto do Sudeste terá capacidade inicial de embarcar 50 milhões de toneladas por ano, podendo ser elevada para 100 milhões de toneladas – embora tal decisão ainda esteja em fase de análise no Inea (Instituto Estadual do Ambiente). A expectativa é que atinja a primeiro patamar de forma gradual até 2016.
UBS reduz preço-alvo para LLX, mas mantém recomendações
Com base nestes fatores, os analistas reiteraram a recomendação de compra para as ações da LLX Logística, mas reduzindo o preço-alvo da ação de R$ 6,90 para R$ 1,70, baseado no valuation da LLX Minas-Rio, enquanto a recomendação de compra para a OSX também foi mantida, como o preço-alvo de R$ 4,00. A mesma recomendação segue para a MPX, com preço-alvo de R$ 9,00, com os analistas destacando que a empresa é a menos arriscada do grupo.
Continua depois da publicidade
Para a OGX, os analistas do UBS seguem com recomendação de venda e mantendo preço-alvo de R$ 0,20, avaliando que não há muito o que esperar considerando a alta alavancagem e os resultados desapontadores nos campos explorados pela companhia. Dentre as companhias júnior de petróleo, a analista Lillyana Yang ressalta a preferência pela QGEP (QGEP3).
Para a MMX, a recomendação também segue de venda, com preço-alvo mantido em R$ 1,60 por ativo. A LLX seria a companhia cuja ação possui maior relação entre risco e retorno, afirmam, assim como a OSX, e seguidas pela MPX.
Impacto limitado sobre os bancos
A preocupação com a crise do grupo EBX tem um impacto limitado sobre os bancos brasileiros, credores e para a BM&FBovespa, avaliam os analistas. Além disso, o impacto também é limitado para as ações de empresas parceiras do grupo, como é o caso da E.ON, que divide o controle da MPX, Exxon ou Total, Anglo American e HHI. Para eles, as parcerias são relativamente pequenas em relação aos termos totais de ativos ou valuation dos parceiros globais.
Continua depois da publicidade
No caso dos bancos brasileiros, os analistas do UBS não acreditam que as potenciais perdas destas instituições se arrastem por muito tempo, sendo no máximo para um trimestre ou dois.