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SÃO PAULO – Apesar das sensíveis melhoras operacionais vistas no último balanço trimestral, a B2W (BTOW3) ficou mais uma vez no vermelho. Apesar do avanço nas vendas indicar para muitos analistas a continuidade da trajetória de recuperação do crescimento, o braço online da Lojas Americanas (LAME4) deixou um gostinho de “quero mais” no mercado, ao reportar prejuízo de R$ 49,3 milhões no 2º trimestre do ano. Na Bovespa, ela também vive dois momentos diferentes: nos últimos meses, suas ações somam ganhos de mais de 80%, mas mesmo assim no acumulado do ano ainda registram queda de 28,3%.
Em relatório da Coinvalores Corretora, a analista Sandra Peres destaca a evolução da receita líquida da B2W, reflexo das melhores vendas de seus portais de e-commerce, o que colaboru ainda para a melhora de sua margem bruta. “Destacamos ainda a melhora da sua necessidade de capital de giro, com redução de 34 dias, fruto de melhorias em seus processos de negociação com fornecedores”, destaca Sandra.
Análise semelhante foi feita pela equipe do BB Investimentos, que observou que a empresa “continuou a trajetória de recuperação de crescimento das vendas”. “Os esforços da companhia em melhorar os níveis de serviço, gerando maior satisfação dos clientes e diminuindo os índices de reclamação, garantiram essa recuperação nas vendas”, escreveu a analista Carolina Machado Flesch.
Com um viés mais pessimista, a equipe da Votorantim Corretora acredita que as margens fracas devem permanecer nos próximos resultados, mesmo com o foco maior na capilaridade da distribuição e na estabilidade dos índices de reclamação. Dessa forma, os analistas Luiz Cesta e Paulo Prado mantiveram a recomendação “underperform” (expectativa de performance dos ativos abaixo da média) para os papéis BTOW3.
Cesta e Prado projetam dificuldades de crescimento para o 2º semestre também por conta das bases de comparação maiores, já que a varejista online cresceu 17% e 35% no 3º e 4º trimestres de 2012, respectivamente.
Logística ainda é um problema
Alguns velhos problemas da companhia também servem para deixar o investidor preocupado com os números futuros. Segundo a analista da Coinvalores, a B2W também apresentou um avanço acentuado em suas despesas, o que contribuiu para a elevação de 26,7% no prejuízo deste semestre, se comparado com o mesmo período do ano passado.
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“Um dos maiores problemas da empresa está associado à deficitária logística operacional, para tal a companhia anunciou que será feito uma série de investimentos no sentido de aprimorar sua rede de distribuição. Além disso, a grande concorrência afeta as margens da empresa”, argumentou a analista.
Carolina, do BB, chegou a uma conclusão semelhante, apesar de ter tido avaliação positiva sobre os resultados da B2W. “Seguimos acompanhando a evolução das despesas operacionais, que registraram avanço significativo no trimestre (+32,9% ao ano), passando de R$ 191,7 milhões no segundo trimestre de 2012 para R$ 254,8 milhões no mesmo período em 2013″, concluiu a analista.
Desempenho na Bovespa
Na última quarta-feira, as ações da B2W encerraram o dia com queda de 4,77%, a R$ 12,19, acentuando as perdas já vistas na terça-feira, quando desabaram 8,4%. Mesmo assim, é válido ressaltar que de julho pra cá os papéis da varejista online ainda somam ganhos superiores a 80%. Aumentando um pouco mais o período de análise, outra divergência: no acumulado em 2013, os ativos BTOW3 registram desvalorização de 28,29%.
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Embora o resultado do 2º trimestre da empresa tenha mostrado que as preocupações com as margens de rentabilidade ainda são recorrentes, a ação da companhia refletiu na bolsa o anúncio feito em julho de que passará a vender roupas de grifes famosas – operação mais rentável do que a venda de eletroeletrônicos, segundo analistas.
Além disso, um fator de mercado ajudou a impulsionar a B2W: as ações estavam passando pelo que o mercado chama de “short squeeze”, que ocorre quando há escassez do papel para ser alugado, o que faz com que os investidores que estão “vendidos” – ou seja, estão posicionados para lucrar com a queda do ativo – recomprem a ação para zerar a sua posição, provocando uma maior demanda pelos ativos.