Clientes do BTG Pactual vendem 50 milhões de ações da OGX; ação cai 18%

Isso não quer dizer que o próprio banco de André Esteves esteja vendendo os ativos que tem em carteira

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SÃO PAULO – O BTG Pactual é a instituição financeira que mais vendeu ações da OGX Petróleo (OGXP3) nesta quarta-feira (28), registrando um saldo negativo de aproximadamente 50 milhões de ações, com o papel chegando a registrar queda de 21,74%, aos R$ 0,54. As ações fecharam o pregão com perdas de 17,39%, aos R$ 0,57, com volume mais forte que o normal: giro de R$ 320 milhões – mais do que o dobro da média, em R$ 130 milhões. Esse desempenho ajudou o índice a cair 0,45% neste pregão, fechando aos 49.866 pontos. 

Isso não quer dizer que o próprio banco de André Esteves esteja vendendo os ativos ou que a parceria entre os dois grupos esteja desfeita: o BTG apenas intermedia as negociações dos papéis para seus clientes. “Pode ser um fundo que resolveu desfazer a posição e está criando uma pressão vendedora acentuada nesta sessão, mas não tem como saber”, afirmou um operador que não quis se identificar. Procurado pelo InfoMoney, o BTG disse que não iria comentar. 

Ele ressalta que isso ainda seria efeito da decisão da empresa de abandonar poços arrematados no 11º leilão e menor visibilidade a respeito do acordo com a Petronas – o tal fundo em questão pode ter tomado a decisão de vender as ações com o mercado fechado, ou não conseguiu realizar toda a sua movimentação na véspera.

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Nesta sessão, está em pauta o negócio do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) entre OGX e Petrobras (PETR3; PETR4). Além disso, Eike estaria, supostamente, oferecendo uma participação na OGX para os credores, em troca do perdão de parte da dívida. Se isso ocorrer com uma emissão de ações, pode diluir os papéis. 

No mercado, circulam informações de que seria o próprio controlador da empresa, Eike Batista, a vender as ações para conseguir honrar com obrigações de curto prazo – ou até mesmo exercer parte da put concedida para a petrolífera. Isso é possível, mas representaria uma mudança de metódos do megaempresário, já que todas as vezes que Eike foi a mercado vender ações de seu grupo o fez através da Itaú Corretora. 

OSX e outras empresas também são afetadas
O operador acredita que isso pode ser um movimento de fuga das ações mais arriscadas do grupo – já que o mercado estaria fugindo do risco. É o caso também da OSX Brasil (OSXB3), que caiu 11,11%, aos R$ 0,88 – e também vê o BTG Pactual como maior vendedor, com 10,2 milhões de ações vendidas a mais que compradas. 

Nesse caso, Eike Batista afirmou que venderia ações da empresa a mercado, totalizando até US$ 50 milhões – praticamente metade da companhia, que vale US$ 110 milhões aos preços atuais. Isso gerou o medo de um excesso de ações disponíveis no mercado, já que a quantidade de ações que deverão ser vendidas equivale a praticamente todo o free float atual da fabricante de equipamentos navais de Eike Batista. 

Outras empresas do grupo foram afetadas por essa decisão, com a MMX Mineração (MMXM3) registrando perdas de 2,93%, aos R$ 1,99, enquanto a LLX Logística (LLXL3) teve perdas de 2,44%, para R$ 1,60. Fora do Ibovespa, a MPX Energia (MPXE3) teve queda de 2,53%, aos R$ 5,00 e a CCX Carvão (CCXC3) subiu 2,21%, aos R$ 1,39.