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SÃO PAULO – A Bloomberg Businessweek, uma das mais prestigiadas publicações dos EUA, publicou nesta quinta-feira (29) um texto sobre o homem mais rico do Brasil, mas que, mesmo após comprar a empresa de condimentos Heinz junto com Warren Buffett, segue desconhecido lá fora. Jorge Paulo Lemann, junto com seus dois sócios, é controlador de três dos maiores grupos norte-americanos no setor de alimentos: a rede de lanchonetes Burger King, a cerveja Budweiser, além da própria Heinz.
A matéria elogia bastante o brasileiro e explica que Lemann conseguiu fazer com que Buffett “quebrasse suas próprias regras”. Na convenção anual de sua empresa, a Berkshire Hathaway, ocorrida em maio, Buffett se mostrou confiante em relação a Lemann, sendo que mesmo aplicando três vezes mais dinheiro, tanto a sua empresa, quanto o grupo do brasileiro, a 3G Capital, possuem a mesma participação na Heinz.
Em 2012, Lemann se tornou o homem mais rico do Brasil, ultrapassando, na época, o megaempresário Eike Batista. A Bloomberg Businessweek se refere ao empresário como um “herói da classe empresarial” e afirma que ele é “sinônimo de eficiência impiedosa”. Com uma fortuna de US$ 32 bilhões, Lemann é o 32º na lista de bilionários da Bloomberg, ficando apenas 7 posições atrás de um dos investidores mais famosos do mundo, George Soros.
Em declaração feita à revista, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e que atualmente dirige uma das maiores empresas de gestão de ativos do Brasil – a Gávea -, afirmou que Lemann realizou uma revolução na forma como as pessoas pensam sobre negócios. O preço avaliado pelas três companhias que Lemann adquiriu nos EUA gira em torno de US$ 187 bilhões, valor maior que o do Citigroup.
De tenista à empresário
Lemann nesceu no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Americana. Em 1958, ele foi aceito em Harvard em uma época onde poucos brasileiros conseguiam entrar na faculdade, mas, de acordo com o próprio empresário, o motivo para sua entrada na instituição foi sua habilidade jogando tênis – ele chegou a disputar a Copa Davis, pela Suíça, e o torneio de Wimbledon.
Em um discurso feito à estudantes brasileiros em São Paulo, em 2011, Lemann afirmou que não gostava de Harvard, odiava o frio e sentia falta das ondas da praia do Leblon. Com essa situação, ele desenvolveu uma maneira de conseguir seu diploma em apenas 3 anos: antes de se matricular em uma disciplina, Lemann conversava com alunos e professores da mesma matéria.
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Além disso, ele descobriu que as provas de anos anteriores estavam arquivadas na biblioteca e notou que os testes pouco mudavam a cada ano, possibilitando um estudo mais direcionado. Um dos principais pontos destacados por Lemann foi que Harvard o forçou a ser criativo para conseguir terminar o curso mais cedo, algo que ele valoriza até hoje.
Lemann e seus sócios, Marcel Hermann Telles e Carlos Alberto Sicupira, fundaram a 3G em 2004 em Nova York com o objetivo de comprar companhias norte-americanas com o dinheiro que haviam conquistado com seus investimentos no Brasil. A publicação chama atenção para o fato de que a imprensa brasileira chama o trio de “os três mosqueteiros”.
O empresário desenvolveu sua filosofia de gestão no Banco Garantia, nos anos 70, o que tornou a companhia na maior empresa financeira do Brasil. Mas após vender o banco para o Credit Suisse, em 1998, Lemann e seus parceiros passaram a se focar fora do setor financeiro, o que levou à suas aquisições mais recentes, como a Heinz.