Construção de arranha-céus contrasta momento econômico na China

Construção chinesa do maior arranha-céu do mundo desafia teoria de economista; as obras do futuro maior edifício da Terra podem abalar maior economia oriental?

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SÃO PAULO – Existe uma teoria no mercado de que quando um país decide construir um edifício maior que todos os já levantados no mundo inteiro, sua economia entra em parafuso. O conceito, conhecido como Skyscraper Index (em português, “Índice de Arranha-céus”), criado pelo economista Andrew Lawrence, já se provou eficiente em alguns momentos da história e agora parece estar prestes a ser novamente testado. Desta vez, o desafiante é Xi Jinping, no comando da segunda maior potência do mundo.

Depois de viver décadas de crescimentos substanciais no PIB (Produto Interno Bruto), a China mostra sinais de uma iminente desaceleração econômica para os próximos anos. Ao mesmo tempo, o país segue com obras pesadas de construção. Segundo matéria do jornal The New York Times, dos 100 edifícios mais altos do mundo, 60 deles estão em território chinês. Para o ano que vem, está prevista a entrega do que será o maior edifício do mundo, localizado em Changsha, centro-sul chinês. A construção terá cerca de 835 metros de altura.

O índice dos arranha-céus mostra a correlação entre a construção do maior edifício do mundo e um posterior ciclo de recessão econômica. De acordo com a teoria, logo na sequência da conclusão das obras, a economia do país autor da obra entra em decadência. Dentre os exemplos que são citados para sustentar a tese, são lembradas as torres gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, inauguradas em 1973, após o boom da década anterior. No mesmo ano do fim das obras, a economia do país entrou em estagflação. As Petronas Towers, na Malásia, Burj Khalifa, em Dubai, e o Empire State Building – que antecedeu a Crise de 1929, nos EUA – são outros exemplos da contundência da teoria de Andrew Lawrence.

O Market Watch também escreveu sobre o possível problema chinês e destacou a validade da teoria para o caso chinês. “Nós podemos provavelmente deixar este debate [sobre a confiabilidade do Skyscraper Index] para as cantinas das faculdades. Existem vários motivos para aceitar, em um simples level, que as crises seguem bolhas, que, por sua vez, são sempre acompanhadas pelo orgulho e prepotência, que frequentemente inspiram pessoas a construir monumentos para glorificarem a si próprios”, defendeu o jornalista Brett Arends, autor da matéria.

Neste contexto de construção de torres de Babel nas terras de Xi Jinping, cabe a pergunta de se o país seguirá o desfecho de uma narrativa não muito popular nas culturas orientais. Será que a economia chinesa seguirá o script da passagem bíblica e entrará em um momento de forte nebulosidade? A teoria de Andrew Lawrence mostra que é possível.

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Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.