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SÃO PAULO – O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira diante do maior apetite de investidores por ativos de risco, após dados que mostraram fortalecimento da economia chinesa e sinais de que a intervenção militar dos Estados Unidos na Síria não é tão iminente.
O dólar perdeu 0,49 por cento, a 2,3735 reais na venda, em um movimento de correção após cravar o quarto mês consecutivo de alta em agosto. Em relação ao peso mexicano e ao peso chileno, a moeda dos Estados Unidos caía 0,44 por cento e 0,21 por cento, respectivamente.
O volume de negociação ficou reduzido em cerca de 520 milhões de dólares, segundo dados da BM&F, devido ao feriado do Dia do Trabalho, nos Estados Unidos, que deixava investidores mais cautelosos, evitando fazer grandes apostas com o mercado norte-americano fechado.
“Realmente, estamos ao sabor dos acontecimentos. Estamos reagindo aos dados da China e aqui a gente sabe que há um ajuste do nosso dólar”, afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.
“Como o dólar andava muito valorizado, o mercado está tentando dar um ajuste técnico para tentar chegar a um patamar confortável para todo mundo”, acrescentou Galhardo.
Mais cedo, a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) informou que a atividade industrial da China cresceu pela primeira vez em quatro meses em agosto, aumentando a procura de investidores por ativos de maior risco e provocando, assim, uma desvalorização generalizada do dólar nos mercados emergentes, sobretudo, no Brasil.
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“O dado da China sem dúvida está contribuindo para essa valorização do real. Diminuíram um pouco as preocupações”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.
Além disso, contribuiu para o desempenho no mercado de câmbio a perspectiva de que um ataque dos EUA à Síria não é tão iminente, à medida que o presidente norte-americano Barack Obama busca apoio do Congresso para a ação militar.
Ainda nesta segunda, o Banco Central realizou dois leilões de swap cambial tradicional –equivalentes a vendas de dólares no mercado futuro.
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No primeiro, dentro do programa de intervenções diárias no mercado de câmbio até o final do ano, foi vendida a oferta total de 10 mil contratos com vencimento em 2 de dezembro de 2013. O volume financeiro equivalente da operação foi de 498,4 milhões de dólares.
No segundo, que não estava previsto no cronograma, a autoridade monetária também vendeu a oferta total de 20 mil contratos com vencimento em 3 de fevereiro do ano que vem. O volume financeiro equivalente foi de 992,7 milhões de dólares.
“O mercado está sensível com as atuações do BC, que tem conseguido, de certa forma, segurar a pressão (do dólar) através dos leilões”, afirmou Galhardo, da Treviso Corretora.
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O BC anunciou ainda mais um leilão de swap cambial tradicional para terça-feira, ofertando entre as 9h30 e as 9h40 10 mil contratos com vencimento em 2 de dezembro de 2013. A oferta já era prevista pelo cronograma de intervenções diárias, e seu resultado será divulgado a partir das 9h50.
Para Rostagno, do Mizuho, o plano de atuações do BC tem se mostrado eficaz em evitar depreciação excessiva do real, mas a tendência para os mercados de câmbio no curto prazo é de volatilidade.
“Essa é uma semana de muitos indicadores econômicos, principalmente nos EUA, que vão ajudar o mercado a traçar um cenário para a próxima reunião do Federal Reserve”, afirmou, referindo-se ao programa de aquisição de títulos do banco central norte-americano.
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A perspectiva de que uma redução no estímulo monetário nos EUA, que hoje equivale a injeções mensais de 85 bilhões de dólares, está no horizonte tem assombrado os mercados e levou o dólar a acumular alta de pouco menos 20 por cento desde maio.