Sem novidades, Obama reitera que default pode ser “caótico”; bolsas caem

Obama ressaltou ainda que não prosseguirá conversas enquanto a ameaça de caos continuar pairando sobre a população norte-americana

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SÃO PAULO – Em pronunciamento nesta tarde sobre as negociações para acabar com a paralisação parcial do governo, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez um apelo para que a chegada a um acordo aconteça o mais rápido possível.

A proximidade do discurso de Obama aumentou a aversão ao risco dos mercados norte-americanos, que passaram a registrar maiores quedas; já o Ibovespa opera com perdas de 0,31%, a 52.254 pontos, de acordo com cotação das 16h25 (horário de Brasília), após registrar perdas de 0,5% perto das 15h. Vale ressaltar que, durante o discurso do presidente, o líder da maioria democrata no Senado Harry Reid convocou o Senado dos EUA para discutir a paralisação do governo; Reid diz que vai levar o projeto para elevação do teto da dívida ainda nesta terça-feira. 

Obama ressaltou que, nesta manhã, ficou feliz ao conversar com John Boehner, mas destacou que não se deve prosseguir com as conversas com o líder da câmara enquanto a ameaça de caos continuar pairando sobre a população norte-americana. “Negociações não devem ser acompanhadas de ameaças de paralisação e default”, afirmou, destacando que disse a Boehner que é preciso parar de desculpas e colocar o projeto em votação. 

O presidente dos Estados Unidos afirmou ainda que está negociando as questões orçamentárias com os republicanos desde março. Para ele, o shutdown, ou a paralisação, pode ficar dramaticamente pior.

“Se o Congresso não elevar o teto da dívida, não poderemos pagar a dívida pela primeira vez em 200 anos”, ressaltou. Obama ainda citou analistas e diz que default seria algo caótico, como uma “bomba nuclear”. E um default, aponta, poderia elevar permanentemente os custos de financiamento. Além disso, a paralisação pode fazer parecer com que os EUA tenham perdido o controle e reduz a credibilidade. 

“Não há boa opção no caso de um default, não há como evitar o caos resultante disto”. Questionado pela Bloomberg se os EUA pagariam os detentores de bônus antes de declarar default, o presidente dos EUA definiu default como além de não pagamento para os detêntores de título e destacou que os EUA estão explorando todos os planos de contingência. 

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E destacou: “estamos dispostos a aceitar um financiamento de curto prazo para que a paralisação do governo se encerre”. Obama ressaltou que a sua mensagem para o mundo é de que os EUA sempre honraram com os seus compromissos e que vão seguir assim. 

Sobre os principais credores dos títulos norte-americanos, como a China e o Japão, Obama não entrou em detalhes, mas ressaltou que os credores não ficaram calmos enquanto Boehner não agir. E destacou que o Tesouro já tomou ações muito fortes e que há hora em que não há como tirar “coelhos da cartola”. E pediu desculpas aos norte-americanos por passar por uma crise como esta a cada três meses e ressaltou que o povo está cansado de crises, mas que, em algum momento, é preciso romper este costume. 

E o presidente dos EUA destacou alguns cenários para o país: mesmo no pior deles, há algumas coisas que ainda podem ser feitas. E destacou que não é necessário criar um novo comitê para discutir gastos. Sobre o teto da dívida, o presidente afirmou que Jacob Lew, secretário do Tesouro, dará mais detalhes na quinta-feira. 

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“Achei que os republicanos tivessem aprendido a lição”
Obama ainda lembrou a discussão sobre o teto da dívida que aconteceu em 2011, ressaltando que negociou na época com John Boehner e que não se arrepende disso. E disse que “achava que os republicanos tinham aprendido a lição com a crise que ocorreu em 2011”, assim como ele. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.