Ibovespa intensifica perdas e cai mais de 1% com China; Vale e OGX pressionam

Após atingir máxima em sete meses, sinalização de que China deve começar a enxugar liquidez contribui para movimento de realização de lucros
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SÃO PAULO –  Seguindo o movimento das bolsas internacionais, o Ibovespa segue em baixa na sessão desta quarta-feira (23), intensificando as perdas nesta tarde; às 12h52 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa registrava queda de 1,09%, a 55.844 pontos. Os investidores se aproveitam do noticiário desfavorável da China para realizar parte dos lucros acumulados no começo desta semana; na véspera, o índice fechou no patamar máximo em sete meses, a 56.972 pontos. 

A última terça-feira foi de bastante euforia nos mercados mundiais por conta da expectativa de que o Federal Reserve retarde ainda mais o início da retirada do QE3 (Quantitative Easing), programa de estímulo do BC local que consiste na compra mensal de até US$ 85 bilhões em títulos públicos. Já nesta quarta, a China trouxe a notícia de que o Banco do Povo pode apertar a liquidez nos próximos meses em meio aos sinais de que a situação melhorou de forma bastante significativa no setor imobiliário, tirando o ímpeto dos investidores.

Diante das más notícias da China, as ações da Vale (VALE3, R$ 35,16, -2,03%; VALE5, R$ 32,40, -1,22%), que possuem uma das maiores participações na composição do Ibovespa, acompanham o movimento das mineradoras mundiais e aparecem entre as maiores quedas do índice, assim como a Bradespar (BRAP4, R$ 26,20, -1,69%), holding que detém forte participação no capital da mineradora. Juntas, estas três ações respondem por 11,1% da carteira teórica atual do índice.

Destaques de alta e queda
A OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,40, -6,98%), outra ação com forte importância no índice (5,407% de participação), também aparece entre as maiores quedas do Ibovespa neste começo de pregão. No entanto, vale destacar que o baixo valor de face do papel contribui para estas variações expressivas a cada um centavo que a ação sobe ou desce. A MMX Mineração 
(MMXM3, R$ 0,93, -3,13%), outra empresa de Eike Batista, também sofre bastante oscilação nesta quarta.

De noticiário novo envolvendo as empresas do Grupo EBX, destaque para a publicação da Agência Estado Broadcast na noite anterior, revelando que a OSX Brasil (OSXB3) afirmou aos seus credores que, em caso de um hipotético pedido de recuperação judicial da OGX ou do não pagamento na data devida do cupom e de outras obrigações da petrolífera, não descarta uma eventual necessidade de discutir o próximo pagamento de suas obrigações.

Na agenda de resultados do 3º trimestre, a Fibria (FIBR3, R$ 28,18, -1,52%) trouxe a público seu balanço, mostrando uma reversão do prejuízo de R$ 212 milhões visto nos três meses de 2012 para lucro líquido de R$ 57 milhões no trimestre atual. A receita líquida da empresa de papel e celulose foi de R$ 1,841 bilhão, contra R$ 1,556 bilhão um ano antes, representando um crescimento de 15%. Esse avanço deve-se, principalmente, a valorização do dólar e maior volume de vendas, explicou a companhia em nota divulgada ao mercado nesta manhã.

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Na ponta positiva, poucas ações registram ganhos superiores a 1% nesta sessão; o destaque fica para a Embraer (EMBR3, R$ 18,06, +1,08%) e Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 3,81, +1,06%). 

Efeito China
Os sinais de aceleração nos preços dos imóveis na China e a proximidade da terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central do Partido Comunista do país, em novembro, alimentaram apostas de que o governo chinês anunciará em breve novas medidas de aperto no setor imobiliário. A expectativa é de que o governo discuta planos de reformas econômicas na sessão plenária de novembro.

Ontem o Escritório Nacional de Estatísticas da China divulgou que os preços dos imóveis residenciais subiram em setembro pelo nono mês consecutivo, na comparação com o ano anterior. A alta média foi de 8,19% nos preços em comparação com o mesmo mês de 2012. No mês passado, os preços avançaram em 69 das 70 cidades pesquisadas, assim como em agosto.

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As incertezas sobre o cenário de crescimento para as empresas e os potenciais anúncios de aperto do governo no setor imobiliário têm sido suficientes para trazer cautela aos investidores e colaborou para que as bolsas asiáticas não refletissem hoje o dia positivo de ontem no Ocidente. No Japão, o índice Nikkei caiu 2%, enquanto o iene atingiu a sua cotação máxima em duas semanas e os juros de títulos de 10 anos caíram para o menor nível em cinco meses. 

BCE “estressará” bancos
No velho continente, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou que iniciará no próximo mês uma avaliação completa dos bancos de 130 instituições financeiras da zona do euro, incluindo testes de estresse, o que precisa os papéis de instituições financeiras. Ainda por lá, destaque para a notícia do jornal eKathimerini de que os integrantes da Troika (Comissão Europeia, FMI e BCE) devem retornar a Atenas em novembro para insistir em mais medidas fiscais na Grécia. 

No Reino Unido, houve a divulgação da ata do BoE (Bank of England), que manteve a taxa básica de juros em 0,5% ao ano na última reunião. A autoridade monetária sinalizou que pode elevar a taxa básica de juros antes do previsto, após os membros de política monetária avaliarem que a taxa de desemprego no Reino Unido está caindo acima do esperado neste semestre.

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Já na Espanha, uma boa notícia: a autoridade monetária anunciou a saída do país da recessão, que já dura dois anos, em meio ao crescimento de 0,1% na economia no terceiro trimestre. O aumento do PIB, “após nove trimestres consecutivos de queda”, é acompanhado por uma melhora na frente de trabalho, já que o Banco da Espanha antecipa que o desemprego registrará o “índice menos desfavorável desde o início da crise”.

Por outro lado, a temporada de resultados também ajuda a pressionar as bolsas europeias. A holandesa Heineken informou uma queda do lucro de 15% no terceiro trimestre e reduziu as suas perspectivas de ganhos para 2013; as ações da companhia chegaram a cair mais de 5%.

EUA: impactos do ”shutdown” podem ser ainda maiores
A sinalização de que os EUA manterão o QE3 por mais tempo veio após a divulgação de ontem do relatório de emprego de setembro, que veio ao mercado com atraso de 18 dias em meio à paralisação do governo e trouxe números bem piores do que o esperado – sinalizando que o país precisará de estímulos pelo menos até o ano que vem. O economista do Deutsche Bank, Jim Reid, alertou sobre os efeitos do “shutdown”, uma vez que os dados contêm informações até 12 de outubro, enquanto a paralisação ocorreu até o dia 17 de outubro, “sinalizando que os efeitos podem ser ainda maiores”. 

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Os mercados também seguem cautelosos à espera por novos dados norte-americanos que serão divulgados nesta sessão, que podem aumentar ainda mais as preocupações sobre a maior economia do mundo. Chamam a atenção os números de pedidos de hipotecas até 18 de outubro e os preços residenciais em agosto.

Nos EUA, a safra de resultados segue movimentada: 40 das 50 companhias do S&P 500 divulgarão seus balanços nesta quarta antes da abertura do pregão, dentre elas Boeing, Caterpillar, GlaxoSmithKline, British America Tobacco, Nasdaq OMX e Nielsen.

Brasil: fluxo cambial fica negativo
Na agenda doméstica, destaque para os números do fluxo cambial, que ficou negativo em US$ 140 milhões entre os dias 14 e 18 de outubro. No acumulado do ano, o saldo está negativo em US$ 4,3 bilhões.  

Em destaque, está ainda a apresentação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em Singapura sobre as perspectivas econômicas para a economia brasileira; de acordo com ele, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a mitigar riscos à frente e contribuir para o declínio da inflação.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.