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SÃO PAULO – “Você pode culpar o Brasil, a China ou até o Fed, o banco central dos Estados Unidos. Os mercados emergentes estão tendo um desempenho terrível este ano, liderados pela América Latina”. É assim que começa a matéria de capa da revista norte-americana Barron’s do último final de semana, que traz a opinião de quatro gestores chegando à conclusão que, quem quiser investir no continente, “deve ‘pensar pequeno’ e esquecer as ações mais tradicionais do Brasil e do México”.
Conforme destaca a publicação, após dez anos de retornos médios de 15% ao ano, o índice MSCI dos mercados emergentes já registrou baixa de 2% este ano e a América Latina caiu ainda mais, 9%. A reportagem destaca que a China, grande catalisador para os produtos primários que os latino-americanos produziam, agora veem seu apetite ser reduzido devido à desaceleração do gigante asiático.
Neste cenário aparentemente negativo para os mercados latino-americanos, a revista dá atenção especial para o Brasil, ressaltando a perspectiva de que a economia brasileira deva crescer apenas 2,4% neste ano, bem abaixo dos 7,5% registrados em 2010. Além disso, o crescente déficit em conta corrente, com o País importando mais do que exporta aumenta a cautela dos investidores. Soma-se a isso os “efeitos colaterais” de um movimento de forte aceleração do crédito, à medida que as dívidas sobem junto com as taxas de juros.
Para tanto, a revista realizou uma entrevista para Adam Kutas, que atualmente gerencia US$ 1,4 bilhão no FLATX, o mexicano Luis Carrillo, gerente do fundo JPMorgan Latin America, Jim Carlen, do fundo REBAX e Lewis Kaufman, que administra o THDAX, com uma carteira de US$ 1,3 bilhão. Carrillo ressalta a preferência por empresas menores com boas perspectivas de crescimento a longo prazo, enquanto Kaufman destaca ficar longe de empresas e países com grandes dívidas.
Os gestores ressaltam que, além da demanda por commodities, a injeção de estímulos na economia norte-americana pelo Federal Reserve animou os mercados emergentes mas, agora, a situação está diferente, assim como os menores gastos dos consumidores. Segundo Kaufman, a tendência é de que haja uma marcha rumo a juros mais altos e que países com déficits em conta corrente e que precisam ser financiados com fluxos de ações e títulos de dívida vão sofrer.
Sobre o mercado brasileiro especificamente, apesar dos problemas e até mesmo em meio às perspectivas para que ocorra uma estagflação, Kaufman não parece muito preocupado, ressaltando que não precisa necessariamente estar otimista sobre o desenvolvimento econômico do Brasil para comprar ações brasileiras. E cita que é um mercado muito mais desenvolvido do que outras da América Latina, o que permite achar boas oportunidades mesmo em um cenário macroeconômico não tão positivo, destacando a sua aposta na Kroton (KROT3), do setor de educação e para os papéis do setor financeiro, que estão subvalorizados numa perspectiva de longo prazo.
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Contudo, Kaufman afirmou que é o País com maiores desequilíbrios, “uma vez que houve muito crédito por muito tempo, o governo criou empregos para produzir coisas que as pessoas não querem comprar, então o desemprego é bem baixo. As empresas brasileiras não têm insumos para produzir e precisam importá-los, levando ao déficit em conta corrente”. Para ele, a expectativa é de que as coisas vão melhorar nos próximos 18 meses.
Enquanto isso, Carrillo ressalta que, quando o mercado de ações brasileiro caiu em 2011 e 2012, todo mundo pensou que o “copo estava só pela metade e que era uma grande oportunidade de entrar nele”. Contudo, destacou, a questão deveria ser: “esse copo é do tamanho certo?”. “O Brasil precisa um copo menor por causa das perspectivas menores de crescimento. Agora que as expectativas foram corrigidas, nos sentimos mais confortáveis de voltar ao mercado”, ressaltou. Mas avalia que, pensando no longo prazo, tenta ficar longe de empresas ou setores influenciados pelo governo.
Kutas ainda afirmou que, enquanto o México tinha um desempenho ruim por quase dez anos, até meados de 2011, “o Brasil roubava o show”. A virada começou em 2012, destaca, com a Dilma fazendo muita coisa que assustou os investidores. Sobre a conclusão sobre quais são os melhores caminhos a se seguir, Carrillo ressalta que o Brasil tem puxado o crescimento para baixo, mas Chile, Peru e Colômbia têm um bom crescimento, enquanto Kutas destaca que, no curto prazo, o País possui problemas estruturais.