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SÃO PAULO – O declínio do empresário Eike Batista, que viu sua fortuna desaparecer em menos de um ano, envergonha a presidente Dilma Rousseff, segundo o jornal britânico Financial Times. O empresário, que ostentava uma fortuna de US$ 30 bilhões no ano passado, enriqueceu durante os “anos incríveis” do governo Lula. Agora sua queda pode colocar em xeque a credibilidade do governo.
“Deve haver momentos na carreira de todo político que faz ter calafrios ao relembrá-los. Para a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, um deles deve ser o dia de abril do ano passado quando ajudou o falido empreendedor Eike a comemorar o ‘primeiro óleo’ do que hoje são seus falidos campos na costa do Rio de Janeiro”, diz o texto.
Segundo a publicação, a ruína de Eike, “que em muitas maneiras era o ‘empresário estimação’ do governo petista”, levanta dúvidas sobre a direção política futura. Sua ascenção deu credibilidade às afirmações do PT de que as políticas econômicas estatistas eram simultaneamente amigáveis ao mercado, mas passada a euforia o emprésario vê seu sonho transformar-se em pesadelo e, juntamente, traz questionamentos sobre a postura do governo. “A queda de Eike fará o partido mais ou menos intervencionista? A resposta será crítica para a prosperidade futura do Brasil”, aponta o jornal.
O relativo silêncio do governo sobre o colapso de Eike é uma surpresa para alguns, que pensavam que o império “X” era grande demais para ruir. “Provavalmente, Brasília percebeu cedo que o castelo de cartas de Batista era precário demais para ser salvo”, diz a publicação.
Na semana passada, o carro chefe das empresas de Eike entrou com pedido de recuperação judicial, com uma dívida avaliada em R$ 11,2 bilhões. A empresa, que chegou a valer no mercado de R$ 75,2 bilhões no auge, terminou o dia valendo R$ 550 milhões.