FT: Brasil pode voltar a emergir, mas estrangeiros têm melhores opções na AL

De acordo com caderno especial do jornal, Brasil segue em baixa em meio aos maiores fatores de risco, mas há investidores que apostam no País; por outro lado, "massa" de céticos continua

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SÃO PAULO – Na edição desta segunda-feira (18) do Financial Times, a publicação deu mais uma vez destaque para a América Latina, incluindo o Brasil, mas ponderando os desafios e também as potencialidades da economia nacional. 

Em caderno especial, o jornal destaca que, mesmo com as perspectivas de retirada do QE3 (Quantitative Easing) nos Estados Unidos, os temores frente à uma desaceleração da China e o caso da queda de Eike Batista ter “jogado contra” a América Latina, a região ainda é terreno para bons negócios. 

Porém, as melhores oportunidades não estão no Brasil, mas sim no Chile, Colômbia, México e Peru; mas, por outro lado, destacam alguns, o Brasil pode começar a “emergir”. O principal texto do caderno destaca que o Brasil está em “desuso pelos investidores”, que no próximo ano o País terá Copa do Mundo e eleições presidenciais, o que deve atribular ainda mais a economia nacional.

Por outro lado, o calote de Eike Batista, mesmo que seja visto amplamente como um caso isolado, também deve adicionar prêmios de risco ao Brasil e que mostrou que “o mercado de capitais não era tão vibrante assim como o anteriormente projetado”. 

O mercado de câmbio é um dos exemplos vistos da redução de atratividade no Brasil, com a moeda nacional perdendo forças com a menor entrada de investidores no País e com o mercado concentrando mais as suas atenções ao peso mexicano, considerado o “primo pobre”. Este é um movimento irônico, após o governantes brasileiros terem criticado, em 2010, a forte desvalorização das moedas dos países desenvolvidos em meio à injeção de estímulos nestes países, o que comprometia a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. 

Os analistas da reportagem destacam que o maior déficit em conta corrente e a inflação alta tiraram a atratividade do real. Porém, outros destacam que o cenário brasileiro está começando a melhorar, com “os ativos começando a emergir no Brasil”, após um período bastante complicado.

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Porém, mesmo dando destaque para uma melhora do País, o Financial Times destaca que há mais oportunidades em outros países, dando destaque para o México, ressaltando, além da melhora da economia dos EUA, a série de reformas econômicas no país. Porém, destaca, a atratividade pode ser reduzida uma vez que o preço dos ativos mexicanos já está acima da média. 

Assim, os sinais são mistos para o Brasil, uma vez que alguns veem que o mercado está barato e que as ações podem voltar a subir, enquanto outros ainda veem melhores oportunidades também em outros países além do México que buscam reformas, caso do Chile, México e Peru. Desta forma, mesmo com incertezas, o capital segue abundante na região, pelo menos por enquanto. O mercado de capitais segue forte, enquanto as fusões e aquisições movimentam US$ 72 bilhões, nem chegando perto aos abundantes US$ 110 bilhões do mesmo período do ano passado, mas apenas um pouco abaixo da média de 5 anos para o período. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.